1. A lei portuguesa obriga a que os eleitores e os partidos estejam hoje praticamente mudos. O dia é para reflexão e mais nada. Como se alguém, actualmente, tenha de fechar os olhos perante os jornais dos últimos dias e com isso ajudar a fazer a sua própria reflexão. Como se alguém tenha de se inibir de passar pelas redes sociais, de trocar opiniões políticas. Mas é a lei que temos e é para cumprir. Mesmo assim, arrisco uma curta observação: é que depois de tantos dias de campanha, de inaugurações, de discursos e de empurrões, de sondagens e de tantas imagens... depois de tudo isso e das eleições de amanhã, a vida prossegue. Pelo que se tem visto nos últimos dias até parece que não, mas há mais vida. Como um dia disse o Presidente Sampaio em relação ao défice, também há mais vida para além das eleições. 2. Inundações no Inverno, incêndios no Outono. Parece uma triste sina, mas acredito que não. Que é possível ter maior capacidade de prevenção e que as autoridades, nas diferentes áreas, podem ser mais pró-activas. Da mesma forma que se colocam escavadoras junto às ribeiras para prevenir eventuais inundações, mesmo que nem sempre resulte, também estou certo de que é possível ter maior cuidado em dias de maior risco de incêndios. Seja esse tempo no pico do Verão, ou no início do Outono. Será certamente mais fácil combater um incêndio no princípio do que depois de o fogo ganhar maior intensidade. 4. Carlos César não vai ser candidato às próximas eleições legislativas dos Açores. A notícia, conhecida ontem, ao fim do dia, revela o que muitos já sabem: que o presidente do Governo dos Açores não é apenas esperto. Que é um político perspicaz, inteligente, que soube esperar persistentemente pela sua vez e, essencialmente, mostra que sabe sair na hora certa. César sabe que depois de ter anunciado a sua saída, pouco espaço de manobra lhe restava a não ser sair mesmo. Mas podia fazer diferente, podia adiar, podia voltar, podia ser eleito. E também podia estragar tudo o que de bom fez pelos Açores. Sair na hora certa é uma virtude. 3. A verdade, sempre! Esta semana foi notícia a estranha recusa de Danny em jogar pela selecção nacional de Futebol. O jogador, de origens madeirenses, que tem sido sucessivamente chamado para a equipa principal do futebol português, empapelou a verdade. Quando podia explicar-se, remeteu-se ao silêncio. Pressionado, escondeu-se. Mais pressionado ainda, alegou razões pessoais. Perante tanta estranheza foi forçado a explicar: tem um quisto e quer ser operado já para cortar o mal pela raiz. Pronto, tanta coisa para acabar por prevalecer a verdade! Que seria muito menos dolorosa se fosse explicada desde o início. Dirão que o jogador tem direito à sua privacidade. Aceito-o, sem dificuldade. Mas manda a prudência que as vedetas percebam que o são para o bem e para o mal.