Há dias tive uma discussão com algumas pessoas, já idosas, que me afiançaram que o azeite não azeda. De facto, após andar a dizer durante algumas semanas que uma certa embalagem de azeite dispendiosa, datada de 1978, estaria a azedar fui alertado, por quem entende destas coisas, para o facto do azeite, aramazenado durante décadas, com pouco cuidado, poder vir a ficar rançoso. Rançoso mas não Azedo! Perante esta sabedoria popular - se calhar pouco científica - expliquei que sou apreciador de um bom azeite mas que um certo azeiteiro (o vendedor de azeite - Dicionário da Lingua Portuguesa , Emp. Lit. Fluminense, Porto, 1986) lá da minha região é tão aldrabão, tão aldrabão que, de acordo com a vizinhança da minha velha avó, já está a azedar desde 1978. "Tem bom remédio!" - disse-me uma das minhas interlucotoras. "Juntem-se todos e corram com esse aldrabão!", desafiou a sexagenária. Tempos depois passei na casa da minha velha avó que me dizia, muito satisfeita: "andamos aqui enganados com o azeiteiro do sítio que, desde 1978, nos vendia azeite rançoso. Como nunca comprámos azeite a outra pessoa pensámos que o azeite era todo assim. Quando descobrimos que estávamos a ser enganados demos uma sova nas arcas do patife e agora há azeite de qualidade". E acrescentou toda satisfeita, a velhota: "pena que demorámos tantos anos a perceber que este Azeiteiro nos enganava". "Mas nunca é tarde para correr com os gatunos e aldrabões...", concluiu a avó! Será que o leitor percebeu a mensagem, ou quer que lhe faça um desenho?!

Roberto Almada, Líder do BE-Madeira