Não vale a pena colocar paninhos frios numa situação que está muito quente. A situação que se vive na Madeira é grave, devido sobretudo às políticas aventureiras dos governos do PSD, que endividaram a Região de forma assustadora, comprometendo o presente e o futuro sendo também verdade que os socialistas fizeram o mesmo na República e por isso estamos a viver as medidas duras da Troika assinadas pelo PS, PSD e CDS. Na Madeira a situação agrava-se, com as anormalidades democráticas que se foram consumando, por uma maioria que nunca respeitou a Constituição na Madeira. As oposições são tratadas abaixo de cão, sem que os Presidentes da República tenham chamado a atenção para esse facto. Cavaco na última vinda à Madeira recebeu a oposição num quarto de hotel. Ainda bem que nem todos foram ao beija-mão. O Governo Regional enganou os deputados, mentindo sobre os números da dívida, como se isso fosse a coisa mais normal do mundo. O Parlamento, que constitucionalmente deve ser o órgão fiscalizador do Governo, não fiscaliza nada, porque a maioria absoluta do PSD não permite. O Parlamento Regional está sem autoridade e todos os dias é achincalhado na praça pública. Nunca a democracia foi tão enxovalhada e maltratada na Região como nos últimos anos. As oposições de esquerda em vez de se unir num combate sério contra este estado de coisas estão cada vez mais espartilhadas em diversos partidos. Diz-se, que isto é a democracia no seu melhor, eu acho que é o pior que nos poderia acontecer e o melhor para o PSD. Muitas vezes ao longo dos anos existiram propostas para que houvesse uma unidade para combater o regime, sempre rejeitadas, sobretudo por aqueles que só pensam no seu umbigo. Agora é o que se vê. Quem decide é o Povo que vota, é verdade, mas é preciso que esse povo saiba distinguir quem são os partidos que na Madeira andam constantemente, num trabalho permanente e muito sério a defender os seus interesses. Saiba ver quem, mesmo com dificuldades, resultantes da situação difícil que se vive, apresentou propostas concretas para sair do buraco onde estamos metidos. É preciso que separar o trigo do joio na hora do voto. É preciso não esquecer quem votou a favor de nos ser tirado cerca de metade do subsídio de Natal, quem está de acordo que a legislação de trabalho seja alterada para que os patrões possam despedir sem justa causa, quem quer introduzir taxas moderadoras na saúde, aumentar a electricidade, gás, os transportes, etc… Já vimos que a caminhada da direita no nosso País com PSD/CDS e o PS a colaborar, porque assinou o acordo com a Troika, é aumentar os impostos e pôr o povo a pagar a crise. Prometeram muito mas depois rasgaram as promessas e é isso que vai acontecer na Madeira. Dar uma nova maioria ao PSD/CDS é o pior que a Madeira pode ter. Já sabemos o que eles fazem no poder em Lisboa e o filme para a Madeira está à vista. Só existe um caminho, reforçar a Esquerda no Parlamento. Apostar em quem tem propostas concretas para auditar as contas da região e renegociar a divida, pôr fim aos privilégios dos políticos implementando a lei das incompatibilidades, extinguir as Sociedades de Desenvolvimento, grandes responsáveis pelo endividamento da Região, implementar programas de emergência contra o desemprego e para combater a pobreza e a exclusão social, implementar complementos de apoio a camadas da população onde o risco de pobreza é mais elevado, como os idosos e crianças e jovens em risco, manter o subsídio de insularidade assim como o acréscimo ao salário mínimo nacional, conquistas importantes da Autonomia. A esperança é a última coisa a morrer e só Domingo é que se pode fazer a verdadeira sondagem, até lá vamos lutar para que alguma coisa mude de facto. Está nas nossas mãos, não desprezemos esta oportunidade!

Guida Vieira