A campanha eleitoral continua. Ora com sinais reveladores de demência. Ora violenta, tal o apelo à “sova”. Mas também com atrocidades que merecem denúncia. 1. A Secretaria Regional da Educação e Cultura garantiu ao DIÁRIO que qualquer actividade de campanha eleitoral, que decorra em estabelecimentos de ensino, não afecta a actividade lectiva. Não foi rigorosa. Os preparativos para o jantar-comício do PSD, na Escola Básica do Galeão, em São Roque, perturbaram as aulas. E sei do que falo. A minha filha frequenta esta escola, diga-se, por imposição da mesma secretaria. Na passada sexta-feira, as aulas de educação física foram dadas num pátio. O polidesportivo estava ocupado por tendas de campanha. Durante a tarde, em pleno horário lectivo, foram feitos, por diversas vezes, testes de som. Como é óbvio, não podem ficar impunes quer os que permitiram os abusos verificados, como os que prevaricaram.
2. O PSD-M continua a inundar a Comissão Nacional de Eleições com queixas contra o DIÁRIO, alegando tratamento jornalístico discriminatório. Sem medir as consequências dos processos, chega ao ridículo de queixar-se daquilo que recusou, ou seja de ter opinião no nosso jornal, e de edições em que os social-democratas gozam de espaço privilegiado porque são notícia. Se é para nos perturbar, descanse. A minuta de resposta que é dada em menos de 24 horas está pronta. É só assinar.
3. Alguns partidos abusam da boa fé dos católicos. Tem sido frequente vê-los a pedir o voto depois das missas, a que também vão para ouvir se o padre faz a homilia em conformidade com o discurso encomendado. Não admira que quem vá à espera de apelos, apanhe com orações. O padre José Luís Rodrigues não fez por menos: "Vamos pedir também pelas pessoas que nesta altura vêm à Missa, sabe-se lá porque razões, vamos pedir que Jesus os ilumine, abençoe e lhes dê muita sorte para a vida... Oremos ao Senhor. A assembleia respondeu, como é costume, com o ‘Ouvi-nos Senhor’. Alguns, percebendo o alcance da oração, não esconderam um sorriso”.
4. Recursos, processos, providências cautelares, queixas... O expediente do ‘Jornal da Madeira’ é elevado a manchete quando é favorável, embora ignorado quando é criminalizado. Percebe-se que sirva para distrair os borlistas neste tempo em que o Governo Regional está a contas com queixas-crime e acusações de “irregularidades graves”. E quanto é que o ‘JM’ gasta por ano em processos judiciais? Quem ganha e quanto com tamanho expediente? A quem serve? Como dizia e bem o sub-chefe de redacção daquele jornal, Miguel Fernandes, numa entrevista à Antena 1, depois das eleições, nada será como até agora: “Há muitas queixas e há procedimentos que têm de mudar...O Governo não poderá manter a quota que tem no JM”.
5. Os trabalhadores do ‘JM’ exigiram “respeito”. Um desejo louvável e legítimo, tal como é dar-se ao respeito, o que não me parece ser compatível com a instrumentalização a que cederam e com uma encenação que questiona o rigor a que alguns estão obrigados. Como é público, os dirigentes do PND barricaram-se no edifício da diocese para exigir “pluralismo” a um meio de comunicação que, segundo a CNE, tem favorecido o PSD. Nesse mesmo edifício, toda a gente viu a forma hostil e atentatório do direito de informar como um administrador tratou os jornalistas que cobriam a iniciativa em causa. E penso que todos leram o que o 'JM' escreveu no dia seguinte a propósito das coberturas feitas pelos jornalistas: "Tão ridícula quanto a invasão do PND às instalações do Jornal da Madeira foi a cobertura jornalística". Estávamos a falar de “respeito”!
6. O Governo, que ao inaugurar também faz campanha, tem dito que a dívida está colocada em obra à vista de todos. E está, por muito que nos custe. Em obras feitas e refeitas inúmeras vezes, algumas sem utilidade, outras sem retorno, e muitas sorvedouro de verbas incalculáveis à conta " de trabalhos a mais". A fraude é que Jardim faz crer que as obras elementares na Madeira foram todas feitas depois de perdoada a dívida, num gesto de boa vontade de Guterres. Toda a gente sabe que mente.