José Góis Estou confuso. Ainda esta semana ouvia o presidente do Governo Regional (GR) dizer que o Estado não tinha feito nada na Madeira, nem Hospitais (por acaso o único verdadeiro Hospital que temos foi feito no Estado Novo) nem estradas, nem aeroportos.Nada de nada. Qual não é o meu espanto quando vejo o mesmo Pres. do GR alegar que a dívida da concessionária do Aeroporto não lhe pode ser assacada nem entrar no défice da Região. Sendo que cabe ao GR nomear a administração e subir as tarifas (não digo "subir ou descer" por que é mesmo sempre a subir) parece estranho este repúdio de dívida. Por outro lado o mesmo Pres. do GR diz que o buraco da Madeira é pequeno, que o nacional é que é enorme (e é) e que esta 6ª feira até teve de ser rectificado o défice da República de «7 vírgula qualquer coisa para 8,3%» devido a má execução orçamental do 1º semestre em causa. O que o Pres. do GR não disse aos patuscos comensais que o escutavam é que segundo o Ministro das Finanças (do seu partido) tal subida do valor deveu-se precisamente à derrapagem orçamental da nossa Região. Mais,o sr. Ministro, que goza de prestigio internacional inversamente proporcional ao do Pres. do GR, refere que os 1100 milhões de € omitidos (num total de 1800 milhões de derrapagem) pela RAM equivalem a 174% da receitas fiscais cobradas na Região, e que ficam todas cá (continuo a ouvir e ler pessoas instruidas a dizer que pagamos o BPN, BPP, EXPO e auto-estradas quando todos sabemos que isso é falso) referentes ao ano de 2010, o que num calculo rápido nos leva a perceber que os nossos impostos só chegam para cerca de 40% das despesas orçamentadas. Fora as que não são orçamentadas e que se transformam em "derrapagem". Mais as despesas de avales, parcerias público-privadas e empréstimos como os das Sociedades de desenvolvimento que começam a cair em 2012 (preparem-se), e que não foram contabilizadas nos 6328 milhões de € apurados pelo Ministério das Finanças. É como um pai de família que ganha 400€ por mês e tem despesas fixas de 1000€, fora os empréstimos dos filhos desempregados, de que é fiador, e que tem de pagar porque estes não têm rendimentos (analogia às PPP, SD, etc). Será que os Madeirenses vão querer sentir na pele a desgraça da fome antes de acabarem com esta loucura e castigarem os culpados? É que uns vão continuar a ser ricos, enquanto o povão vai pagar, rir e ser gozado.