No actual momento histórico em que vivemos, em rápida e constante mudança, quase sempre completamente imprevisível, cada vez mais é necessário ter consciência da importância central e crucial que a tomada de decisão assume. Nos debates, discussões, diálogos e dilemas, que surgem um pouco por toda a parte, emerge a necessidade de questionar a própria realidade e, nesse contexto, de fazer escolhas. É preciso salientar que tomar decisões é uma actividade fundamental da vida humana. Mas esta actividade só é possível se a pessoa exerce e vive a sua natureza mais profunda em liberdade. E a liberdade é um modo estrutural de ser, é uma característica típica do humano, é o componente essencial do ser humano, já que dá significado à sua existência e especifica o seu agir. Agir que para ser livre se faz "moral", isto é, a vida humana é essencialmente decisão e acção presentes nesta procura de horizontes de sentido, nesta caminha para uma construção pessoal cada vez mais coerente e sólida em torno de um núcleo de valores e princípios significativos. Esta dinâmica de autoconstrução aponta para decisões livres, pois se a pessoa se constrói a si mesma, não é apenas porque é uma liberdade que se empenha, escolhe e decide, mas porque pode discernir o bem e o mal. Esta capacidade de tomar decisões, pelas quais a pessoa se empenha em fazer-se, gira em torno de duas noções básicas: por um lado, a responsabilidade, ou seja, o assumir a vida, a sua condução nas próprias mãos e responder por esse mesmo percurso, sem arranjar as tão fáceis, previsíveis e conhecidas desculpas "esfarrapadas" ou "bodes expiatórios" e, por outro, a perfeição, isto é, o desejo e a possibilidade de atingir a plena realização, da pessoa tornar-se naquilo que realmente quer ser, sem se sujeitar a modelos preestabelecidos, a arbitrariedades, a caprichos ou a constrangimentos externos. Este ideal perfeito de realização do qual a pessoa procura aproximar-se através de sucessivas decisões, funciona como um "motor" que orienta o seu esforço e a sua caminhada para a actualização do seu potencial e para a realização dos seus projectos. O essencial é a coerência consigo mesmo e a persistência nos projectos, e não apenas o acertar e pautar o caminhar por um conjunto de regras puramente exteriores que exigem apenas uma aplicação formal destas sem contributos próprios e sem esforço de crescimento e autenticidade. Tomar decisões implica, então, uma especial responsabilidade em relação aos acontecimentos e a tudo o que quotidianamente nos afecta, pois é nas oportunidades concretas e reais que se exerce e exercita "a liberdade da decisão". É exactamente esta liberdade de decisão que se apresenta, a todos nós, como tarefa que exige lucidez na percepção e interpretação da realidade, ousadia na resistência às pressões do "ambiente" e coragem no configurar da própria identidade. Vale a pena estar desperto para este dinamismo, já que todos seremos chamados, nos tempos que se avizinham, a tomar decisões vitais que vão comprometer todo o futuro e cuja importância não pode ser, de modo algum, negligenciada. Marco Gomes, Director Pedagógico da APEL

Marco Gomes