Daqui a pouco mais de uma semana, os portugueses da Região Autónoma da Madeira, serão chamados a eleger um novo parlamento e por consequência, um novo governo regional. Esta mera formalidade irá ser realizada, e a democracia irá ser cumprida, seguindo apenas, o calendário acordado, como se a democracia na Madeira, se resumisse a um apontamento qualquer, duma agenda. Em boa-verdade, e tendo em conta os dados disponíveis, até à hora que escrevo estas linhas, a esmagadora maioria dos eleitores não saberá qual o programa de ajustamento, ou de resgate, que decorrerá da ocultação de dados das contas da Madeira, que um inquérito-crime da Procuradoria-Geral da República, está a diligenciar. E a partidocracia-reinante que se apresentará no boletim de voto, - sejam aqueles que recusam debates vagando cadeiras; e os demais que prometem intenções sem planos -, vai determinar que a futura composição parlamentar, integre uns incontinentes, uns imunes à justiça, e outros que confortar-se-ão em manter a continuada farsa, no apoio a esta fétida teatralidade. Nada mais a esperar, neste offshore-nacional das incompatibilidades. Se a Madeira não tivesse uns expressivos 22% de eleitores-fantasma, o meu voto seria o do desprezo abstencionista. Aliás, seria a simples devolução do mesmo desrespeito, a que nos dedicam estes políticos que mentem, escondem informação, e recusam explicar cabalmente, aquilo que nos espera. Tudo isto, com o patrocínio cúmplice, das mais altivas instituições do Estado, em que aqui destaco o "silenciado" Presidente e o "preocupado" Representante da República, que com as suas omissões e cogitações metafísicas, fazem parecer natural, o trato acéfalo, com que votam à "Grécia" portuguesa e aos seus iludidos habitantes. Sei que a 9 de Outubro serei mais um derrotado nas urnas. Porém, estarei de sã consciência com o sentido do meu voto, que só poderá ser de protesto. Protesto aos carrascos da Autonomia, que a defendem ocultando dívidas, e que têm o desplante, de pedir mais "ajuda" para a sua missa do sétimo-dia, sob a benção dalguns sorridentes clérigos, que tocam a compasso, os sinos dos reluzentes campanários recém-inaugurados, em jeito de rebate de finados. Esta monumental farsa tem os seus maquiavélicos interesses e propósitos. Tem também inscrito um "ADN "dum povo acrítico, que se presta a ser sempre mugido, sem reclamar, no bailinho de costas vergadas, aos senhores da "Madeira Nova", que nem são ingleses, nem inglês, - muitos sequer -, sabem falar. E nesse aspecto, reside também a nossa responsabilidade no actual caos, que leva a que muitos lá fora, já confundam a (des)governação madeirense, com os próprios madeirenses. Um povo que é reverencialmente temente, que não reage, e que não exige se informar, não é tão diferente, de um povo “sem voto”, por mais comissões e partidos que hajam, pois a democracia, não se esgota no acto de votar ou da legitimação formal de um qualquer governo. Da mesma forma, que a eleição não substitui a justiça, ainda que a correspondente e imoral imunidade-parlamentar, a atrase. Para a gritante fome de "democracia", não há cabaz gratuito que satisfaça essa necessidade de uma cidadania madura, no "assegurar do regular funcionamento das instituições democráticas", ainda que, perante a distracção do bucólico quadro duma vaca sorridente num verde prado açoriano, se falhe, esse preceito constitucional... Só o consciente exercício do cidadão, apazigua essa precisão. Para estes ofertórios, até os líbios mesmo sem voto, varreram as suas areias, mas admito que para revirar calhau, seja preciso algo mais, que uma simples vassoura, até porque em nome do desenvolvimento, o cimento tapou o calhau, mas tornou o buraco maior...

Donato Macedo, Licenciado em CCO