O relatório à situação financeira da Madeira revela muito mais do que números. Dá nomes severos a um "estilo" de governo, que teima manter uma "máquina administrativa pesada", a violar a lei e a não honrar compromissos. Um governo que é muito dado à "prática de irregularidades"; à "inobservância dos princípios da estabilidade orçamental, da coordenação e da transparência"; ao "não cumprimento do dever de informação"; ao "incumprimento reiterado da regra do cabimento dos compromissos a assumir"; ao "deficiente planeamento e programação de investimentos "; à falta de garantia "a projectos de viabilidade insuficientemente demonstrada"; à "desproporção na assunção de risco nas PPP"; à "sobre-orçamentação da receita e das despesas"; à balda que devia dar perda imediata de mandato. O relatório tardio, e susceptível de ser entendido como ajuste de contas entre social-democratas de cá e lá aparentemente desavindos, comprova ainda que o poder absoluto de Jardim asfixia quem tem responsabilidade na gestão das finanças regionais, ao diagnosticar "insuficiente atribuição de competências" a Ventura Garcês ao nível do controlo prévio dos actos geradores de despesa" e a ausência de uma estrutura que "monitorize a gestão das empresas públicas". Confirma ainda que muita da informação relevante chegou tarde à Inspecção Geral de Finanças e alerta para riscos, quase certezas, ou seja, novas despesas, outras tantas omissões e mais dívida. O relatório é cruel mas de nada vale se não houver emenda, se num tempo de austeridade que ditará o inevitável desespero não surgir um pacto sério e rigoroso com a economia regional, um compromisso social com o futuro feito de esperança, envolvendo gente de várias gerações e quadrantes, capaz de pensar em soluções. A cor do futuro depende de todos madeirenses e não de quem, de forma egoísta e irresponsável, inconsciente e nefasta, decreta desde já que será negra. Não nos podemos barricar na demência, anestesiados pelo folclore eleitoral, pela encenação de um novo contencioso alegadamente autonómico, pela briga provinciana entre governos que só se governam, pela chantagem emocional, pela ameaça independentista e pelas preocupantes contradições. Tolerar que a coesão nacional e que a autonomia conquistada fiquem reféns dos despesistas só fará com que a dívida dispare... e 'mate'. Miguel Albuquerque, Presidente da CMF O futuro precisa de iniciativas que potencializem espaços e negócios. A 'Semana Histórica' perspectivada para 2012 confirma a apetência da autarquia por gerar valor acrescentado na cidade com os eventos que organiza. D. António Carrilho, Bispo do Funchal Ao não apresentar queixa, evitou que os dirigentes do PND prolongassem o protesto no 'JM'. Mesmo deixando isolados os que esperavam solidariedade da Diocese, teve neste caso a lucidez que faltou a outros protagonistas. Alberto João Jardim, Presidente do Governo Regional A um sem número de irregularidades que lesam a vida dos madeirenses, juntou outras tantas declarações irreflectidas, que contrariam desejos e garantias recentes. Como não são "coisinhas de nada", resta aguardar que se faça justiça. Pedro Passos Coelho, Primeiro-Ministro Prometeu uma auditoria às contas que se resumiu a um relatório. Garantiu desenhar ao mesmo tempo um plano de resgate que afinal só será conhecido depois dos votos. Não cumpriu. Nem com a Madeira, nem com o País que derrapa. Fátima Lopes, Estilista Trabalha para estar no topo da moda . Assim, mostra com frequência que é possível superar a glória efémera e ser sempre notável graças ao talento. Um exemplo para todos os que se perdem em banalidades na era da correcção financeira.
O futuro não tem de ser negro
Mais do que um duro a falar com Lisboa, convém ter quem saiba línguas a negociar com a troika