Num momento em que as incertezas povoam o nosso futuro, devemos procurar caminhos que nos conduzam a algumas saídas de menor risco, que nos proporcionem o essencial que procuramos, na certeza de que não estamos a perder tempo nem a despender esforços inúteis. Na Madeira o apelo deve concentrar-se na cooperação com o sector do turismo, que face aos elementos que conhecemos, é nesta ocasião, aquele que melhores oportunidades de crescimento poderá criar na actividade económica regional. Creio que está tudo dito sobre o que se deve fazer, de como deveremos actuar, de qual a postura que deveremos tomar… Enfim, estão tipificadas enésimas situações que sugerem e garantem uma atitude activa e um comportamento adequado para que a Madeira consiga ganhar mais turistas e mais negócio neste sector da economia. Há excelentes profissionais, conhecedores da realidade mundial, e preparados para projectar estratégias de actuação e tomar as decisões que as circunstâncias impõem. Contudo, acho que devemos reflectir sobre os hiatos, em que as instituições aguardam directivas e orientações, em que se discutem orçamentos e a implementação de novas estratégias, porque nos fazem perder tempo, porque nos fazem interromper a pedalada e afrouxar a rodagem da carruagem. São estes intervalos pós-eleições, por exemplo, em que os vencedores castigam o povo com a incerteza da nomeação, em que o governo de gestão apenas assina o expediente, que têm, no caso do turismo, custos incomportáveis e criam brancos incompreensíveis. Agravados porque o orçamento virá (ou não virá) de fora. O sector não se compadece com estas incertezas e não podemos perder a embalagem que os últimos meses trouxeram a este destino turístico, mesmo que o nosso relativo sucesso esteja a ser construído de forma inesperada, ganho por constituirmos a alternativa de outros destinos que imerecidamente perderam os seus clientes. O que nós temos é de merecer e provar a esses novos turistas que a alternativa que constava da lista, e que escolheram, porventura de modo aleatório, é um ponto que deve constar nos primeiros lugares das suas escolhas. Estamos esperançados que alguma coisa está a ser feita, sobretudo pelo sector empresarial, que não irá perder a oportunidade de afirmar o destino e as suas qualidades. Por isso não optará pela resposta fácil de que o governo pouco fez para que as campanhas prosseguissem. Aos empresários também se exige que estejam desde a primeira hora, nos gabinetes ou nos locais apropriados, a dar a cara, a contestar que os seus descontos e impostos não estão a ser aplicados como deveriam. Ou a constatar que tudo corre bem. O trabalho fiscalizador também é de sua conta. Se queremos ser tão eficientes como outros destinos temos de exigir aos orçamentos públicos fatias proporcionais, semelhantes às verbas que sabemos que são utilizadas noutros lados com iguais propósitos. É esse o ‘benchmarking’ que se exige e se deve aplicar, sem complexos, mesmo em épocas de menos dinheiro. Sem promoção os hotéis continuarão com médias baixas, as receitas pobres e os trabalhadores a engrossar as listas do desemprego. Cito particularmente os hotéis, mas o propósito é referir-me a toda a cadeia de serviços prestados ao turista. Um círculo vicioso que pode levar as nossas empresas para o abismo. Por isso, a palavra cabe aos empresários e às organizações empresariais. Um apelo às boas práticas, a fazer bem feito aquilo que devem fazer: exigir com personalidade e autoridade e executar com profissionalismo e empenho.