Já não se arregalam os olhos e gritam as vozes deste nosso País a cada movimento e passo incerto dos magotes político-partidários, que em compasso cacofónico divagam pelas ruas, ora em tom profético de salvadores dos últimos dias, ora num tom apocalíptico, prevendo as sete pragas do Egipto. Torna-se cada vez mais difícil encarar a política como um segmento sério da nossa sociedade, vê-la como algo que em tom de seriedade empunha as rédeas da nossa vida, é-nos cada vez mais inconcebível tal ideia. Quem acredita que algo que não se define e organiza-se é capaz de gerir os outros? Ao mais leve sentido de lógica presente em todos nós a resposta será certamente, Ninguém! Vejamos o nosso caso como Madeirenses. Nestas últimas eleições regionais, onde estava em jogo um assunto vital para a nossa sobrevivência a longo prazo, nenhum dos nove partidos concorrentes, tanto os auto-proclamados de direita, os do centro, os da esquerda e até mesmo aqueles mais espaciais, nenhum foi capaz de encarar os Madeirenses com a seriedade que merecem. Encarando-os como democraticamente debilitados, cingiram-se na campanha aos seus típicos comícios e atitudes aldeãs, onde, os capelões do costume dão a sua missa já decorada de tantos anos a repeti-lo e os outros que rebelam-se entre filosofias sem chão e em manifestos circenses. Agrade ou não o resultado a quem dele augurou belas expectativas, isso será o de menos, pois, o essencial será ter a noção que ainda ficamos muito longe de umas eleições sérias, com política de verdade. Ditam os votos!
Diogo Gonçalves, Colaborador da Associação Académica da UMa