Com a publicação, ocorrida há poucos dias, do ranking de notoriedade dos destinos turísticos, onde se encontram, no topo da tabela, o Canadá, a Suécia e a Austrália, e onde se verifica que Portugal, Grécia, Irlanda e Espanha perderam terreno, ficando para trás da vigésima quinta posição, como consequência da crise económica e financeira que os caracteriza, entendi dar, neste, espaço a uma ideia lançada na última Conferência Anual do Turismo e que mais não significa do que, novamente, aproveitar o que temos. Sendo a Madeira muito mais do que este nosso espaço físico, ocupando dimensão infinita no universo das recordações, sensações, emoções, sentimentos e memórias, importa ir mais longe, não considerando a saudade como um passado mas, antes, como o objectivo, o propósito, o alvo, o móbil de uma comunicação que, por si, se alimenta, flui e subsiste naturalmente. A mensagem da Madeira pode e deve assentar, complementarmente ao investimento anual que decorre da sua promoção, numa lógica de interesse meramente económico, na arte de manter ligações e na mestria de, daí, colher simpatias continuadas e douradouras. Ao alcance de todos estão os meios tecnológicos que facilitam a criação de redes, umas sociais outras não, de plataformas de contacto, de partilha e de participação cívica. A Madeira tem muito mais que tudo isso, tem "matéria-prima" e "conteúdos" para enriquecer e diferenciar a forma de estar presente no mundo. Em qualquer parte do globo é possível encontrar Madeirenses. Muitos ilustres, distintos e distinguidos. Madeirenses notáveis nas mais diversas áreas de actuação mas também Madeirenses incógnitos, discretos mas presentes e disponíveis para um apelo sentimental de ligação à sua terra natal. No turismo, no desporto, na música, na moda, na arquitectura, na engenharia, no jornalismo, na política, na saúde, nas artes, nas ciências, no cinema, na dança, na investigação, na cultura, nas empresas, enfim, em tantas e tantas dimensões quantas por esse mundo fora existem, encontramos, sempre, um Madeirense de quem nos orgulhamos e que muito estima a sua Madeira. Para além destes, muitos são aqueles que, por qualquer razão, ficam "filhos" da Madeira e que desta guardam as melhores recordações, acalentando um carinho especial que potência um bem dizer sem preço. Coordenar todo este potencial, garantir presença universal pela voz de quem sente a Madeira é o grande desafio. Não requer grande investimento, não significa criar novas estruturas nem tirar espaço a alguém. Representa, apenas, aproveitar as oportunidades, enaltecendo a Madeira. Significa, também, assumir que todos esses são os nossos melhores "embaixadores". E são, sem qualquer dúvida, aqueles que sentem algo especial ao dizer "I am Madeira".
Eduardo Jesus, Economista