Rui Anacleto Direito de resposta uma carta do leitor, em que se fazem referências a meu respeito, pelo Sr. Deputado André Escórcio. Não conheço ninguém nesta terra que fale tanto em despartidarização da educação e que tanto a partidarize. O Sr. parece ser o grande ideólogo da educação, só que os que ousam discordar de si são logo apelidados de qualquer coisa, seguindo-se a retórica do costume! Por outro lado, acusa-me de, apesar de ter sido Director duma escola problemática, como refere, não conhecer ou varrer os problemas para "debaixo do tapete". Como é próprio da minha pessoa, procuro sempre reagir de forma responsável e com elevação, mas, pelos vistos, se o faço estou a vitimizar-me! Enfim… a educação é um assunto demasiado sério para joguinhos de palavras, não estivéssemos nós a FALAR DO FUTURO DOS NOSSOS FILHOS. Não possuo soluções mágicas para a educação, ela depende de muitas variáveis, umas situadas na escola e outras a seu montante, mas rejeito a demagogia e o oportunismo de todos os que a querem instrumentalizar. A Região, apesar de ter herdado em 1981 (census), uma taxa de analfabetismo de 26,6% contra 19% da média nacional, vem fazendo o seu caminho e hoje pode orgulhar-se de a ter reduzido para um valor estimado em 7,6%. Tudo isto se deve a um esforço concertado, cujas evidências falam por si. Actualmente, a RAM apresenta: um dos melhores parques escolares do País; um rácio professor/ aluno bem abaixo da média europeia; níveis de escolarização que, nalguns ciclos, já atingem os 100%; uma redução progressiva das taxas de abandono e insucesso escolar. Não defendemos o que Sr. defende - que todos os alunos transitem de ano, tenham ou não conseguido atingir as competências mínimas para o fazer -, preferimos o trabalho sério e consistente em vez do "sucesso estatístico", que em nada ajuda a preparar os alunos para a vida. O Sr. frequentemente vem a terreiro julgar-nos pelos rankings dos exames que, como deve saber, representam 30% da avaliação global do aluno, acusando-nos, inclusive, de ser a pior Região do País, o que não é verdade. Essa análise parece-nos redutora. Mas, perante os resultados, não "assobiamos para o lado". Ainda esta semana, e a exemplo do que fizemos nos últimos 5 anos, reunimos com as escolas com o propósito de, em conjunto, reflectirmos sobre os resultados e, simultaneamente, apurarmos formas de os melhorar. E ainda esta semana se soube que a RAM colocou no ensino superior 1304 alunos, dos quais, 80 em medicina. Em relação à disciplina, pedra basilar em qualquer organização (e na escola por maioria de razão), vimos-lhe dedicando uma atenção especial no sentido de a preservar, mediante um trabalho concertado com os estabelecimentos de ensino. Não é justo nem educativo que uma pequena minoria prejudique os demais! O que não é aceitável é que passe a imagem de que as escolas sejam mais inseguras e indisciplinadas do que a comunidade que as envolve. Quando nos acusa de não investirmos na educação, relembro-lhe: a generalização das ETIs, com as suas mais valias educativas, onde se inclui a educação artística, o desporto escolar, a Língua estrangeira e as TIC ; a cobertura integral do pré escolar; o psicólogo e o(s) prof(s) de educação especial por escola; o animador de biblioteca; as equipas multidisciplinares de apoio ao Projecto Educativo de Escola; o reforço curricular nalgumas disciplinas; os projectos de complemento curricular, em áreas como a educação sexual e afectos, a educação alimentar, a educação ambiental, a educação rodoviária e o empreendedorismo, entre tantos outros desenvolvidos no âmbito da escola. Antes de concluir, recordo-lhe que a tal escola problemática , nas suas palavras, é hoje um dos estabelecimentos de ensino mais procurados pelas famílias e, ao longo da sua existência, ajudou a formar muitos dos jovens em destaque na nossa terra Concluo, recorrendo à sabedoria popular, que "só se atiram pedras às árvores que dão fruto" e, como tal, passe bem!