Com este nome, recordamos a bonita canção de Dorival Caymmi, composta em 1939 e interpretada originalmente pela luso-brasileira Carmen Miranda, a qual inspirada na letra, usava nos seus espetáculos as bonitas e tradicionais vestimentas das mulheres negras e mestiças da cidade da Bahia - as baianas. E assim, numa de recordações, ... recordamos outros tempos longínquos, de férias na ilha do Porto Santo, onde, tudo podia acontecer num dia, e de repente, ... no dia seguinte, parecia, que nada tinha realmente se passado, ficando só a memória com as recordações: os namoros que se esvaíam rápidamente, as lambecas que se derretiam no calor das mãos, as noites estreladas na praia,... que acabavam fatalmente com o nascer do sol. Esse Porto Santo do século XX, era um paraíso de férias, férias grandes, que se desenrolavam por muitas semanas ou até meses, onde havia á disposição, praia, desporto, festas, música e divertimentos de sobra. Não chegavam a sentir-se, as faltas dos computadores, telemóveis ou mesmo dos automóveis. Também não se falava do tempo - da chuva, das nuvens ou do sol - que podia ser observado no contorno matinal do Pico Castelo, ... até porque era um problema supérfulo e sem qualquer importância. As férias, como dissemos, desenvolviam-se, dia após dia, por um vasto tempo, até quase ao início das aulas do novo ano. A Vila Baleira, que não era ainda cidade, estava sempre repleta de gente, apesar de haver sómente, um hotel e três ou quatro pensões. Nessa altura, os avós trasmitiam aos pais, os hábitos e as vivências dessas férias muito lazarentas passadas na ilha, e estes "transpassavam" aos filhos, de modo a serem sempre absorvidos pelas gerações seguintes. Nesses tempos, todos se contentávam com pouco, quando hoje, ninguém se contenta com muito! Quase "todo o mundo", tinha biciclete para se deslocar, e quem não a tinha, conseguia sempre uma disponível, de aluguer ou emprestada de um amigo. O aeroporto e o porto - este não passava do actual cais - eram lugares de eleição, para disfrutar das partidas e das chegadas. Muitos dos veraneantes, encontravam-se uma vez por ano na ilha do Porto Santo. O que significava, o rever e reencontrar de amigos - que traziam sempre amigos novos - as histórias para contar, de todo aquele ano que havia passado, enfim, um ambiente muito descontraído e de imensa camaradagem. Nunca faltavam churrascos nocturnos, de galinha habitualmente - porque a carne de vaca era muito cara - continuando a festa com sessão de guitarra ou então discoteca improvisada no "pau de sabão". Mais raramente organizavam-se uns "bailinhos", quando havia um aniversário e a casa do festejado, assim o permitia. Súbitamente entramos no século XXI, surgem grandes desenvolvimentos pela ilha, particularmente infraestruturas desportivas de excelente qualidade, começando no campo de golf e acabando no complexo de ténis, paddel e madeira ball, passando pelo estádio polidesportivo de jogos em areia. Tudo bem feito e em prol dum desenvolvimento desportivo regional e global, também apoio ao turismo e ocupação dos tempos livres, não cabendo aqui hoje, fazer considerações sobre despesas e lucros destas infraestruturas. Este desenvolvimento, acompanhado pela evolução sócio-económico-cultural dos cidadãos, e também, pelo crescimento habitacional na ilha, faz multiplicar o número de visitantes. Os ritmos de vida alteram-se na agora cidade, com oferta desportiva variada e imensa participação activa, mas ao mesmo tempo, com divertimentos industriais, exclusivamente dirigidos para crianças, jovens e adultos jovens, com horários nocturno-matinais, onde se permite fácilmente, o consumo de bebidas alcoólicas a menores. Falo necessáriamente do "Penedo da Insónia"! Que não foi concerteza construído para ser, o que é agora! Onde nem existe restauração, que leve a jantar famílias e amigos,... e onde o dito espaço se dedica afinal, ao serviço de "escola" para o ensino do consumo do álcool, puro ou diluído, numa prova de resistência diária até ás 9 horas da manhã. E a segurança pública, ainda se dá ao trabalho de fazer operação stop, ás 7 horas da madrugada, talvez para "apanhar" e fazer a estatística, dos jovens menores sentados no banco de trás do carros, com grama e meia ... no ar expirado. Não entendemos o que se pretende e também não sabemos como tudo isto poderá acabar ! Por um lado infraestruturas desportivas com grande qualidade e ainda bem que as há; por outro, esta "pré-universidade" do álcool etílico e similares! Devemos estar a ser repetitivos com toda esta história, mas, sabendo nós "o que é que a baiana TEM", queremos agora conhecer, "o que é que a baiana QUER"!

José Manuel Morna Ramos