'Não sei se há vida depois da morte, mas lá que há morte depois da vida, lá isso há'. A célebre reflexão de Woody Allen, uma entre inúmeras, até poderia valer-lhe a etiqueta de 'pessimista', contudo, o cineasta continua a ver-se, somente, como 'realista'. Através da Sétima Arte, Woody Allen e outros realizadores, sobretudo os do cinema dito não comercial, têm sido profícuos a criar dramas existenciais que nos dão um 'soco no estômago' logo que começam a ser ditas as verdades sobre a vida e a morte, recorrendo, ou não, a metáforas. Ora, o filme que ontem venceu a Palma de Ouro do conceituado Festival de Cannes (onde a Madeira esteve representada com a 'curta' 'Full House') é precisamente uma dessas fitas. Chama-se 'Lung Boonmee raluek chat' (ou 'O tio Boonmee, que pode recordar as suas vidas passadas', numa tradução livre) e narra os últimos dias de um homem, retratando as crendices e superstições sobrenaturais que, em pleno séc. XXI, ainda 'cegam' milhões em todo o Mundo. Mas, aos poucos, começam a ser dados passos para ajudar quem tem de lidar, por exemplo, com o luto. Inclusive, por cá, há uma associação de nome Âncora' que procura ajudar os pais que perderam um filho. De louvar, sobretudo quando a morte e o luto continuam a ser tabus em sociedades ditas conservadoras, como é o caso da Madeira.Duas linhas