Fátima Rocha Sábado, no noticiário da noite, uma notícia chamou-me sobremaneira a atenção: um sádico foi esfuracado nas Ventas. Literalmente em todos os sentidos. Aconteceu na praça de Las Ventas, em Madrid.A imagem televisiva era eloquente: um touro com várias bandarilhas espetadas, com o dorso completamente ensanguentado e o sangue escorrendo-lhe pelas patas da frente até os cascos, com o olhar de dor e terror de quem luta pela vida, arrastava com ele o toureiro, prendendo-o com um corno que lhe entrava no pescoço, por baixo da maxila, e lhe saía pela boca. Uma imagem sublime. Ver o sádico, que pouco antes se bamboleava na casaquinha de lantejoulas, calcinha de lycra e sabrinas, martirizando o pobre animal com o ar de quem é superior e controla a situação, a torcer-se todo de modo a não ser completamente esgaçado, lavou-me a alma.Aquele touro, cujo destino de sofrimento estava marcado, lutou heroicamente pela vida; enquanto um bando de gente doentia se regozijava com o seu desespero.O monstro não morreu, mas ficou moído. Duas operações, uma delas de seis horas, para lhe refazer as ventas e a lenta recuperação que lhe prognosticam, devem deixá-lo sem vontade de ver sangue durante uns tempos. Ou não.Enquanto acontecerem estas barbáries, seja em Portugal ou noutro país qualquer, e já que não tenho poder para acabar com elas, torcerei para que todos os touros tenham a pontaria deste herói de las Ventas. Olé!.