Quando o cinto apertar demais, há-de haver gente que não se vai ficar pelos protestos. Em Portugal não dever ser! Foi a minha reacção a um mail que me enviaram sobre ordenados e alcavalas deste país. É de admirar que a Carris ande sempre em greve para lutar por um aumento de dois ou três euros por mês, quando o presidente leva para casa cerca de 60 mil? Os carteiros rompem as solas e não chegam aos mil euros, porque o presidente dos CTT leva 200 mil por mês? A TAP tem prejuízos, mas o brasileiro que manda, chega aos 80 mil contos (400 mil euros). Se é real, só para terem uma ideia, o homem pode comprar uma vivenda por mês e ainda lhe ficam trocos. É obsceno que a EDP pague milhões por ano ao presidente e vogais, quando temos o preço da electricidade que temos. Com o monopólio que a EDP tem, não deve ser difícil atingir objectivos e receber milhões de prémio, quando até a entidade reguladora, que paga mais de 200 mil euros ao seu presidente, recomenda aumento de preços! Como é que é possível haver gente a ganhar mais de 400 ordenados mínimos por mês, quando temos uma parte do povo a passar fome? Alguém se admira do preço dos seguros se souber que o presidente do Instituto dos Seguros de Portugal ganha quase 250 mil euros ao mês? Causa espanto que o presidente de um banco leve três milhões para casa no ano em que esse banco faliu?Não é um país de brandos costumes. É um país de corruptos onde há uma classe política (é a única que manda) que se governa e manda e desmanda em favor dos amigos e das famílias dos amigos. Rodeiam-se de vices e secretários, de adjuntos, assessores e motoristas. Num país pobre, rodeiam-se de riqueza e compram grandes e luxuosos carros dos quais se servem pública e privadamente. E como têm os amigos nos lugares chave da sociedade e economia, vivem à grande e à francesa. Será que não se arranjava alguém competente para gerir a RTP por menos de 250 mil euros/mês? A CMVM precisa de pagar 50 mil contos/mês ao presidente? O Metro do Porto paga quase 100 mil euros ao presidente, será que é muito mais difícil de gerir do que o Metro de Lisboa, onde se paga só (?) 60 mil? A culpa é apenas dos governantes que têm passado pelas cadeiras de decisão, levando este país à falência, mas deixando os amigos bem aviados. A culpa é destes políticos oportunistas que legislam reformas milionárias e subsídios de reintegração para gente que deveria auferir o correspondente à actividade que tinham antes de entrarem na política. Preferem coleccionar direitos e privilégios, nomear assessores e adjuntos reformados e caquécticos, que acumulam ordenados com reformas e tiram lugares a jovens licenciados e competentes.O que importa se ninguém quer pagar os oito milhões das viagens dos atletas, quando o IDRAM não falha com os milhares da renda? Que interessa para onde vai viver o desalojado, quando se compram muitos apartamentos ao mesmo promotor? Quanto valiam os 700 mil de impostos de Carrapatoso ou os 250 mil do S. Vicente, PRESCRITOS, quando se vai buscar 40 euros aos herdeiros de um velho reformado morto há seis anos? Admiram-se que haja roubos, assaltos e por aí além? Melhor mesmo é passar na Camacha, ir ao Estica almoçar, jogando uns matraquilhos a 50 cêntimos, sai barato e a gente diverte-se. Quando o cinto apertar demais, há-de haver gente que não se vai ficar pelos protestos, cartas de leitores e outros. Vai haver molho e de certeza que não será em cima de mim.Paulo Gomes
Quando o cinto apertar demais, há-de haver gente que não se vai ficar pelos protestos.
Em Portugal não dever ser! Foi a minha reacção a um mail que me enviaram sobre ordenados e alcavalas deste país. É de admirar que a Carris ande sempre em greve para lutar por um aumento de dois ou três euros por mês, quando o presidente leva para casa cerca de 60 mil? Os carteiros rompem as solas e não chegam aos mil euros, porque o presidente dos CTT leva 200 mil por mês? A TAP tem prejuízos, mas o brasileiro que manda, chega aos 80 mil contos (400 mil euros). Se é real, só para terem uma ideia, o homem pode comprar uma vivenda por mês e ainda lhe ficam trocos. É obsceno que a EDP pague milhões por ano ao presidente e vogais, quando temos o preço da electricidade que temos. Com o monopólio que a EDP tem, não deve ser difícil atingir objectivos e receber milhões de prémio, quando até a entidade reguladora, que paga mais de 200 mil euros ao seu presidente, recomenda aumento de preços! Como é que é possível haver gente a ganhar mais de 400 ordenados mínimos por mês, quando temos uma parte do povo a passar fome? Alguém se admira do preço dos seguros se souber que o presidente do Instituto dos Seguros de Portugal ganha quase 250 mil euros ao mês? Causa espanto que o presidente de um banco leve três milhões para casa no ano em que esse banco faliu?Não é um país de brandos costumes. É um país de corruptos onde há uma classe política (é a única que manda) que se governa e manda e desmanda em favor dos amigos e das famílias dos amigos. Rodeiam-se de vices e secretários, de adjuntos, assessores e motoristas. Num país pobre, rodeiam-se de riqueza e compram grandes e luxuosos carros dos quais se servem pública e privadamente. E como têm os amigos nos lugares chave da sociedade e economia, vivem à grande e à francesa. Será que não se arranjava alguém competente para gerir a RTP por menos de 250 mil euros/mês? A CMVM precisa de pagar 50 mil contos/mês ao presidente? O Metro do Porto paga quase 100 mil euros ao presidente, será que é muito mais difícil de gerir do que o Metro de Lisboa, onde se paga só (?) 60 mil? A culpa é apenas dos governantes que têm passado pelas cadeiras de decisão, levando este país à falência, mas deixando os amigos bem aviados. A culpa é destes políticos oportunistas que legislam reformas milionárias e subsídios de reintegração para gente que deveria auferir o correspondente à actividade que tinham antes de entrarem na política. Preferem coleccionar direitos e privilégios, nomear assessores e adjuntos reformados e caquécticos, que acumulam ordenados com reformas e tiram lugares a jovens licenciados e competentes.O que importa se ninguém quer pagar os oito milhões das viagens dos atletas, quando o IDRAM não falha com os milhares da renda? Que interessa para onde vai viver o desalojado, quando se compram muitos apartamentos ao mesmo promotor? Quanto valiam os 700 mil de impostos de Carrapatoso ou os 250 mil do S. Vicente, PRESCRITOS, quando se vai buscar 40 euros aos herdeiros de um velho reformado morto há seis anos? Admiram-se que haja roubos, assaltos e por aí além? Melhor mesmo é passar na Camacha, ir ao Estica almoçar, jogando uns matraquilhos a 50 cêntimos, sai barato e a gente diverte-se. Quando o cinto apertar demais, há-de haver gente que não se vai ficar pelos protestos, cartas de leitores e outros. Vai haver molho e de certeza que não será em cima de mim.Paulo Gomes