Emidio Loja Todos os dias, duas a três vezes ao dia, tomo café, água e pela tarde um ou dois copos de vinho, com os muitos amigos comuns, companheiros de longa data, clientes habituais e antigos conhecidos, além de muitos vizinhos, que se juntam na esplanada do café da nossa zona residencial - na Pena - em troca de impressões diárias, lamentos pela caristia da vida, entraves políticos, com os comentários adequados e algum palavrão à mistura, insuficiências das pensões dos reformados, que, na maioria de muitos, os mais idosos e mais carentes, nem chega para o pagamento dos remédios que lhes receitam, e, ainda, em troca de mimos e galhardetes entre os muitos adeptos e aficcionados.São bons momentos de lazer, regra geral, e de vez em quando, ouvem-se os comentários de alguns, falando sós, quando se espantam com as notícias, as mais alarmantes, e os valores que atingem, porque, no nosso café, que me conste, não há segredos, nem violências, apenas, por diferentes, as caras dos novos clientes, das namoradas, e das famílias com os seus rebentos, a crescerem velozmente, e a enfeitar o ambiente da esplanada com a alegria e a espontânea e atrevida balbúrdia e traquinice das crianças, a recordar-nos tempos passados, perdidos na saudade, mas bem reais e fundamentais, por necessários para garantia do vínculo familiar, pelos nossos filhos e netos.Sejam eles tão orgulhosos pelos sentimentos herdados, verdadeiros nas suas afirmações, humildes sem servilismo no desempenho das suas funções, justos na aplicação dos castigos, pelas faltas cometidas, disciplinados e cumpridores na execução das suas tarefas ou contratos, e, então, faremos e seremos parte integrante da geração democrática que sonhámos, como cidadãos de pleno direito, de Portugal, da Europa, e do Mundo, sem peias e sem arrogância.Hoje, felizmente, chegamos ao ponto central do nosso problema - a reconstrução dos danos e prejuizos resultantes do temporal de 20 de Fevereiro.Após tantas indecisões e percursos indefinidos sobre a escolha de uma comissão especial, mandatada para o efeito, e aplicação correcta e prioritária, que resolva, totalmente, a reposição das zonas afectadas e problemáticas que surgiram, em vários pontos da nossa cidade e da nossa região, tragédia que despoletou uma onda de solidariedade à escala 'plenária', e fez crescer os donativos, generosamente, andou-se, para a frente e para trás, perdendo-se tempo, demasiado, e amolgando ainda mais, os ânimos das vítimas.Agora, por favor, não percam mais tempo, e, cuidadosamente procurem remediar os mais carentes e necessitados, e fazer do sentimento de tantos voluntários, e de tantos anónimos ofertantes que juntaram um montante apreciável de donativos, bandeira universal, e mandar executar as tarefas, que, sabemos, serem enormes.Não procurem os aplausos, que pertencerão sempre à massa anónima dos homens voluntários que tornaram possível a angariação dos valores recolhidos.Agora sim! A culpa não morrerá solteira, pois sabemos e confiamos no executor escolhido. Seja sempre igual a si próprio, e tanto eu, como todos nós, ficaremos gratos pela vossa imprescindível e acertada responsabilização, como gestor dos fundos recolhidos, até à sua finalização, sem que mais tarde ou de premeio, possam apresentar-se soluções, a camuflar desvios ou pagamentos diversificados, sem aplicação directa ou resultante dos danos do aluvião.Força, o caminho é para a frente, pois estamos consigo!.