A chefe da diplomacia da União Europeia (UE) manifestou-se hoje
preocupada com o crescimento no bloco comunitário de partidos que são
"cegos às ameaças" russas, após a vitória da extrema-direita alemã no
estado da Saxónia-Anhalt.
Em conferência de imprensa em Vilnius, no âmbito de uma visita à
Lituânia, Kaja Kallas foi questionada sobre o que é que a vitória do partido de
extrema-direita Alternativa para a Alemanha (AfD, na sigla em alemão)
representa para a UE.
Na resposta, a Alta Representante para os Negócios Estrangeiros e
Política de Segurança defendeu que é preciso respeitar os resultados
eleitorais, mas observou que as ameaças da Rússia "estão a aproximar-se da
Europa", dando o exemplo do incidente com drones no aeroporto de Leipzig
em agosto, que a Alemanha atribuiu à Rússia.
"As ameaças estão realmente a aumentar na Europa. E, ao mesmo
tempo, partidos que estão, de certa forma, cegos a essa ameaça e que dizem 'não
devemos fazer nada porque isso não é uma preocupação nossa' estão a ganhar
terreno", referiu.
Kallas disse recear que, a dada altura, a UE possa aperceber-se de
que não fez o suficiente "para conseguir dissuadir as ameaças" da
Rússia e para se conseguir defender.
"Mas, naturalmente, cabe ao povo alemão, enquanto país
democrático, fazer as suas escolhas", afirmou.
A AfD, anti-migração e pró-Rússia, venceu no domingo as eleições
no estado da Saxónia-Anhalt, no leste da Alemanha, com 43,8% dos votos e ficou
a apenas três deputados da maioria absoluta
Para conseguir governar, a AfD terá de chegar a acordo com
elementos de outros partidos, como a União Democrata-Cristã (CDU, que liderava
o governo local desde 2002), ou formar uma aliança temporária com o movimento
de esquerda radical pró-Rússia BSW, por exemplo, que, segundo os 'media'
públicos alemães ZDF e a ARD, tem quatro assentos parlamentares e está aberto a
negociar caso a caso.
Nenhuma região alemã foi governada pela extrema-direita desde
1945.
