
Setembro, fim da época (f)estival, com os vários recomeços, desde a política adormecida por ter ido a banhos, às aulas depois de uma época de intensa polémica por causa dos exames, e das desventuras do Ministro Neves.
É também época de se enterrarem os amores de verão nas areias das praias que as têm, enterro esse que pode levar aquela frase que todos conhecem - precisamos de falar, quando ela chega de mansinho, com um ligeiro sobre-elevar de sobrancelha, a esquerda, mas também pode ser a direita, ou mesmo as duas, com um ligeiro sorriso misto entre divertido e zangada, sabe Deus qual, e diz com uma voz aveludada, com sabor a mel e cheia de flores:
- Amor
(ou querido, ou outra forma com que carinhosamente costuma tratar o marido, companheiro, namorado ou que quisermos imaginar, e que pode ir do nome próprio ou até um, um pouco mais ríspido, olha lá!, mas fiquemos pelo amor, que até fica bem à história)
precisamos de falar!
O marido, companheiro, namorado ou o que queiramos imaginar faz uma cara de verdadeiro espanto mesclado com um tremor de terror, pergunta de imediato:
- o que é que eu fiz?!