"Recuso, naturalmente, lições de humildade. O secretário deve concentrar-se em fazer o seu trabalho. Para começar, ainda não mexeu uma palha para pressionar o seu Governo da República a implementar integralmente a lei aprovada, de modo que os residentes suportem, na prática, no máximo 79 euros numa viagem de ida e volta, com recurso às agências de viagens. Entre tantas outras aldrabices da República, esta é mais uma que o secretário apadrinha hipocritamente".
É desta forma que o deputado socialista madeirense, Carlos Pereira, reage às crítica feitas hoje pelo secretário regional do Turismo, Ambiente e Cultura sobre a escalada de preços das viagens entre o Continente e a Madeira, assunto que o DIÁRIO abordou na sua edição de hoje.
Esta manhã, em declarações à TSF, Eduardo Jesus considerou que as passagens nunca estiveram tão caras como agora por causa da ausência de tecto, culpando taxativamente os deputados Carlos Pereira e Francisco Gomes pelo facto, sugerindo que tivessem "a humildade de reconhecer o erro e de promover a sua correcção".
Para Carlos Pereira, as declarações do governante mostram que "há uma diferença entre quem defende os madeirenses e procura fazer com que
paguem menos do seu bolso e quem, do alto do seu ressentimento, parece mais
preocupado com as pretensões do seu amigo José, e outros amigos de salão, do que com as dificuldades de quem tem de
pagar a passagem". "Não seria mais avisado que um governante capaz e responsável
se concentrasse no que realmente interessa aos madeirenses?'", questiona, sublinhando que "a nova lei protege os madeirenses e garante pagamento direto de 79 euros com as
agências de viagens, não diminui o turismo português como ameaçou o seu amigo,
e amplificou o Secretário e obriga o Estado a controlar o mercado e evitar
especulação".
Julga que se o governante está contra isto deve apresentar uma proposta para
mudar a lei e explicar aos madeirenses "que quer continuar a tramá-los como fez
durante 10 anos, numa traição que ainda não explicou a ninguém".
Façamos então contas grosseiras, à Eduardo. Entre 2015 e 2025, terão
existido mais de dois milhões de processos de mobilidade entre a Madeira e o
Continente. Se 10% desses processos tiverem ultrapassado o teto, com um
excedente médio de 100 euros, estamos a falar de 20 milhões de euros pagos
pelos madeirenses. Que tal, então, um bocadinho de humildade para pedir desculpa por ter defendido um modelo que penalizou os madeirenses? Quanto é que entende que deve ser devolvido às famílias pela «pipa de massa» que tiveram de pagar por não terem tido um secretário à altura da defesa dos seus interesses?
O parlamentar acusa ainda o secretário regional de confundir "a causa com a sequência para dizer que as tarifas
estão mais caras num contexto de subida vertiginosa do custo de vida e dos
combustíveis não pode dar lições de nada a ninguém". "O facto de uma coisa acontecer depois de outra
não significa que tenha sido causada por ela. Dizer «as
passagens subiram depois da lei, logo foi a lei que as fez subir» é confundir
sequência com causa. É a falácia post hoc", refere
Mais, salienta que "num contexto de escalada dos preços dos combustíveis e de
inflação alimentada pelas guerras, inventou a história de que as tarifas aéreas
aumentam por causa do Mecanismo de Continuidade Territorial, uma lei criada
para proteger os madeirenses". E defende que "para comparar preços com seriedade e sem enganar ninguém, é preciso ter em
conta a época do ano, a antecedência da compra, os lugares disponíveis e os
custos dos combustíveis e de outros factores que pesam na aviação". Lembra que na Grécia e
na Irlanda, por exemplo, os bilhetes para voos subiram 16% e 14% respectivamente
em Agosto face ao mês homologo, pede "decoro" ou então que seja mudadada a lei da
mobilidade "e, pela tese do homem do governo, talvez também baixemos o custo de
vida e os combustíveis que não param de subir".
Na reacção enviada ao DIÀRIO, Carlos Pereira deixa um desafio:
Se agora quer os tetos de volta, apesar de o PSD-Madeira ter votado
a favor deles, numa salganhada hipócrita, apresente uma proposta concreta para
repor os 400 euros. Eu estarei lá para votar contra. Mas tenha a coragem de
assumir a proposta perante os madeirenses. Não esconda o rabinho entre as
pernas: diga que quer que sejam os madeirenses a pagar o valor acima do teto,
como fez durante 10 anos, tirando dinheiro dos madeirenses.
