Testemunhos recolhidos junto de passageiros dão conta do impacto directo que o vento forte está a ter em quem viaja de e para a Madeira, num fim de semana marcado por 8 voos divergidos e 20 cancelamentos (chegadas e partidas), atrasos generalizados e também limitações na travessia marítima do Porto Santo, uma vez que não haverá vagas a bordo do 'Lobo Marinho'.

O relato de um passageiro ilustra bem a espera vivida nas últimas horas no Aeroporto do Porto Santo: "Só agora estou a sair do avião", contou, depois de a aeronave ter ficado retida algumas horas à espera de condições que permitissem uma aterragem segura na Madeira. A operação no aeroporto madeirense mantém-se condicionada pelo vento, que chega aos 60 km/h, com várias aeronaves a enfrentar dificuldades para aterrar, a maioria nem sequer a tentar a partir das 19h00.

Nem todos tiveram esse desfecho. Segundo testemunhos recolhidos, muitos passageiros optaram por ficar no Porto Santo, enquanto o avião regressou ao destino, no caso Londres. Um cenário que confirma o que já vinha sendo noticiado, com vários dos voos divergidos a aterrarem na 'ilha dourada', nomeadamente os provenientes de Nice, Londres/Gatwick e Amesterdão, entre eles um Airbus A321 da easyJet. Além destes, outros voos foram desviados para as Canárias (Tenerife Sul e Gran Canária) e para Lisboa, enquanto ligações de Lanzarote, Lisboa, Manchester e Tenerife acumulam atrasos.

Provavelmente tentarão amanhã nova aproximação, dia que se prevê um abrandamento do vento. "E só deve haver vagas no barco na segunda-feira", segundo diz um passageiro, depois de se informar que o navio-ferry Lobo Marinho, que assegura a ligação entre a Madeira e o Porto Santo, só deverá ter vagas na segunda-feira. A informação surge dias depois de o navio ter estado a navegar apenas com um motor, o que poderá estará a condicionar a sua capacidade de resposta face ao aumento da procura provocado pelas divergências aéreas.

Este cenário de perturbação enquadra-se numa fase de tempo instável na Madeira: a região está sob aviso amarelo por tempo quente até segunda-feira, e a Proteção Civil alertou para o agravamento do perigo de incêndio rural até terça-feira, com rajadas de vento que podem atingir os 60 km/h nos extremos da ilha e nas terras altas. Só a partir do final da tarde de domingo se espera uma redução temporária da intensidade do vento, antes de voltar a subir na segunda-feira.