
Vivemos numa época em que parece obrigatório escolher um extremo. Ou se adere ao chamado “wokismo”, com os seus excessos, ou se embarca num pseudo-conservadorismo que transforma convicções pessoais em regras para todos. Não me revejo em nenhum deles. Posso ser pessoalmente contra o aborto e, ao mesmo tempo, defender a sua descriminalização. Uma coisa é a minha consciência; outra é o Direito e a liberdade de quem não partilha das minhas convicções. Da mesma forma, sou favorável à educação sexual, mas isso não significa aceitar sem discussão qualquer construção ideológica sobre género, muito menos confundir educação com promoção de comportamentos. Entre o moralismo e a ausência de limites há um espaço enorme onde ainda cabe o bom senso.