
O mês de agosto costuma ser mais propício a banhos e ao descanso do que a milagres. No entanto, este ano, em pleno mês de férias dos professores, deu-se um milagre inesperado na RAM: de um momento para o outro, a julgar pelos resultados do concurso de colocações, publicados no passado dia 7, constatou-se que, afinal, não há falta de educadores, nem de professores de Português, Inglês, Físico-Química, Biologia e Geologia, entre outras disciplinas. A realidade há de encarregar-se de desmentir o milagre.
Por outro lado, o dito concurso veio agudizar a precarização da profissão docente de muitos colegas. Que o digam Felismina, Miquelina, Tácito, Xenofonte e Isolda (nomes fictícios, mas correspondentes a vidas reais): são professores ou educadores há 15, 20 ou mais anos; lecionaram nos últimos anos letivos em escolas das suas residências; tinham vidas profissionais estáveis, mas, no referido passado dia 7, foram levados para longe pelo vendaval que varreu a Madeira de lés a lés. Num ápice, foram arrancados das escolas em que vinham trabalhando, contribuindo para a estabilidade do corpo docente, e atirados para dezenas de kms de distância.