A identidade, a diáspora e a
autonomia foram os eixos centrais da conferência proferida por Ângelo Correia
no Fórum Madeira Global, onde o antigo ministro defendeu que o futuro da Região
passa por reforçar a ligação às comunidades emigrantes e apostar na economia do
mar, sem perder de vista a autonomia conquistada após o 25 de Abril.

Perante uma plateia atenta, com
as comunidades madeirenses bem representadas no Centro de Congressos da
Madeira, Ângelo Correia começou por sublinhar que “há várias diásporas, não há
um”, considerando que o encontro representa um espaço de partilha entre as
comunidades madeirenses espalhadas pelo mundo.

O conferencista sustentou que o
ponto de partida é a identidade de um povo, comparando-a a “uma árvor” com
raízes na história, na cultura e nas tradições. “As nossas narrativas, as
nossas músicas, a nossa gastronomia (...) são uma expressão cultural de uma
civilização”, afirmou, defendendo que a identidade resulta simultaneamente da
herança recebida e da capacidade de evolução. “A identidade não é um dado. É um
dado e um adquirido. É o invariável e a mudança", sintetizou.

Na segunda parte da sua intervenção,
destacou a autonomia regional como uma das grandes conquistas do regime
democrático. “As autonomias foram uma forma de expressão política criada na
construção do 25 de Abril”, afirmou, acrescentando que esta permitiu à Madeira
desenvolver “todo o hardware e o software” que sustentaram o crescimento
económico e institucional da Região ao longo das últimas décadas.

Segundo Ângelo Correia, o futuro
da Madeira deverá continuar ligado ao mar, apontando áreas como o registo
internacional de navios, o Centro Internacional de Negócios, a aquacultura e o
transporte marítimo como vocações estratégicas da Região. Defendeu ainda que o
conhecimento científico deve preceder a exploração dos recursos marinhos,
valorizando o papel da Universidade e da investigação.

“O mar abre-se acima de tudo à
Madeira”, afirmou, considerando que a Região está particularmente bem
posicionada para tirar partido da sua dimensão atlântica, dando uma estrutura
geopolítica estratégica a Portugal.

O antigo governante apelou também
a uma relação de complementaridade entre o Estado e as regiões autónomas. “É
preciso que o poder central perceba que as autonomias não são antagónicas do
centro, são complementares”, sustentou.

Num dos destaques, evocou a
bandeira da Madeira como um símbolo da ligação histórica à identidade nacional,
lembrando que incorpora a cruz da Ordem de Cristo. “Se há alguma coisa que
demonstra, que manifesta a portugalidade da Madeira, é a bandeira que lá está”,
afirmou.

Na parte final da intervenção,
deixou uma mensagem de confiança às comunidades madeirenses espalhadas pelo
mundo, lembrando que a Madeira sempre soube acolher os emigrantes que
regressaram em momentos de dificuldade.

Defendeu igualmente que
fortalecer as autonomias regionais significa fortalecer Portugal, rejeitando
qualquer oposição entre o poder central e as regiões autónomas. "Apoiar a
autonomia regional é apoiar Portugal", afirmou, considerando que uma maior
cooperação entre a República e as autonomias reforça a capacidade estratégica e
a coesão nacional. Nesse sentido, entende que o poder central precisa da
articulação com as autonomias regionais em alguns países onde os poderes
regionais exercem uma acção junto das comunidades que lhe são próximas.