A Secretaria Regional de Educação, Ciência e Tecnologia vai
contratar mais 47 técnicas de apoio à infância e em relação à anunciada greve,
Elsa Fernandes revelou que vai enviar esta semana uma proposta no sentido de ir
ao encontro das reivindicações. Cerca de uma centena de professores estão de
saída do sistema, 38 por aposentação. Em relação ao curso de para a profissionalização,
explicou que não foi possível avançar na Universidade da Madeira este ano, mas
que vai avançar no próximo.
Foi à margem das boas-vindas a 37 novos assistentes operacionais
esta manhã na Escola Jaime Moniz que a secretária falou, primeiro para dizer
que com estas entradas ficam fechadas as contratações destes profissionais para
este ano e para revelar que no próximo haverá novas entradas. “Este ano já são
mais de 70 a serem contratados, portanto estamos a completar as aposentações
que foram acontecendo e entretanto a ficar com um quadro completo de
assistentes operacionais nas nossas escolas”, referiu.
Em relação à saída de uma centena de professores para o
continente, um alerta deixado pelo Sindicato de Professores da Madeira, Elsa
Fernandes esclarece que são menos. “É um número grande, na mesma, mas estamos a
tentar resolver toda a situação de forma que nenhuma criança fique sem aulas em
nenhuma disciplina”, comprometeu-se. Mas há também as aposentações.
A secretária já fez as contas dos que serão necessário repor
para responder à nova realidade: “85 ficaram colocados no continente, nem todos
aceitaram, e 38 aposentaram-se. Portanto, sairão à volta de cem”.
Elsa Fernandes garante que houve alertas por parte da
Secretaria da Educação à Universidade da Madeira para a necessidade de formar
professores, mas que isso exige que a UMa peça mais vagas. No caso dos professores
de 1.º Ciclo, a instituição de ensino superior regional só consegue formar 23. “A
universidade não pode abrir mais do que aquilo que a A3S permite. Neste caso,
para os professores do primeiro ciclo, são 23. Entretanto, já contactei a
universidade pedindo para que possam abrir mais vagas, mas isso é um pedido que
tem de ser feito à A3S e de acordo com o número de docentes, a A3S autoriza ou
não”.
Outra das respostas para a falta de professores passa pela
profissionalização dos docentes que têm a componente científica, mas não a
vertente pedagógica para entrar na carreira. O curso que ia permitir essa
transição para as escolas deveria ter sido realizado este ano na Universidade
da Madeira, as inscrições abriam, mas não avançou. A secretária explicou que devido
às regras que existiam, só podiam candidatar-se pessoas já com cinco anos de
serviço. Dos vários candidatos, só dois efectivamente tinham esse tempo de
aulas.
Elsa Fernandes revela que no próximo ano lectivo haverá nova
abertura. “Estou informada que a Universidade da Madeira mudou as condições de
acordo com o Ministério da Educação, foi possível mudar, tal e como é feito na Aberta,
e as pessoas para candidatarem-se apenas têm que ter um vínculo com uma escola,
ou seja, tem que ter um contrato, pode ser um contrato anual e podem
candidatar-se. E nesse sentido, tenho a certeza que a profissionalização terá
mais de vinte candidatos e vai avançar no próximo ano lectivo”.
Para fazer face à saída de forma imediata, a secretária
apostou no indeferimento de destacamentos, sobretudo nas áreas mais carenciadas,
que são os professores do primeiro ciclo, História, Filosofia e Português. “Nessas
áreas estamos a interferir os destacamentos e fazendo com que os professores
voltem à escola porque temos que garantir que nenhuma criança fica sem professor
em nenhuma disciplina”.
Relativamente à greve dos técnicos de apoio à infância, convocada
para a próxima segunda e terça-feira, Elsa Fernandes garante que estão a fazer
tudo para a evitar e a satisfazer os pedidos, “legítimos”. “Ainda esta semana
enviaremos para o sindicato o documento de que elas alegam, que fala de uma
progressão na carreira, e também vamos contratar mais 47 técnicas de apoio à
infância, já estamos a iniciar o processo”, avançou. Ainda assim, não dá como
certo que não haja greve.
A proposta vai ao encontro das reivindicações e se o acordo
for conseguido é para ir à Assembleia Legislativa da Madeira em Setembro para
discussão, aprovação e entrada em vigor. “A partir daí estamos prontos para
fazer o que tem que ser feito, para começar a contabilizar as progressões na
carreira”, garantiu.
Elsa Fernandes deu as boas-vindas ao conjunto de 37
assistentes operacionais contratados, que se juntam aos cerca de onze mil da grande
família da educação. A secretária lembrou aos presentes que são mais do que um
número, que contribuem para a educação das crianças e que por vezes são os seus
ouvintes, convidando-os a um sorriso, um afecto e bons conselhos.

