O quarto painel do segundo dia da Grande Conferência do Mar,
organizada pelo Jornal Economia do Mar e que decorre esta tarde no Funchal,
reuniu armadores, operadores e representantes institucionais em torno do tema
'Transportes Marítimos no Desafio da Escala e Competição'. Em debate estiveram
os desafios da descarbonização, o peso regulatório europeu e o impacto económico
do shipping nacional.
Pedro Amaral Frazão, presidente da Associação de Armadores
da Marinha e Comércio, entidade com 31 anos, que representa armadores,
estaleiros, escola náutica, registos e empresas de engenharia, traçou um
panorama global do sector antes de se focar nos desafios específicos dos operadores
europeus.
Começou por colocar em perspectiva o peso ambiental do
transporte marítimo: se este representa 90% das transacções de matérias-primas
a nível mundial, é responsável por apenas 3% das emissões de gases poluentes.
"Só a China representa 29% das emissões globais, os EUA 9% e a Índia 8%.
Um pequeno decréscimo destes estados equivaleria a toda a poluição dos
armadores", sublinhou.
Sobre a concentração do mercado, os números são igualmente
expressivos: dos 100 maiores armadores do mundo, os dez primeiros concentram
85% da oferta mundial. Os três gigantes MSC, Maersk e CMA-CGM detêm capacidade
para 16 milhões de contentores de 20 pés. Os restantes 90 armadores repartem o
mercado que sobra. E, não obstante esta assimetria de escala, todos estão
sujeitos à mesma regulação ambiental da IMO.
O presidente da Associação alertou para o impacto desigual
das normas europeias de descarbonização. A União Europeia obriga os navios
emissores a pagar taxas de carbono e impõe um regulamento de desempenho
ambiental sem paralelo fora da Europa. "Os armadores europeus vão ser
penalizados em relação a outros operadores que não vão ter estes encargos",
disse, referindo que os biocombustíveis custam quatro vezes mais do que os
combustíveis convencionais e que essa diferença terá de ser repercutida nos
preços ao cliente final.
Amaral Frazão apontou ainda um novo desafio no horizonte. A
partir de Setembro de 2028, uma Zona de Emissões Controladas (ECA) no Atlântico
obrigará os navios a consumir combustível de baixo teor de enxofre. As rotas
entre Lisboa, Leixões, Açores e Madeira serão parcialmente abrangidas. "O
agravamento da factura ao cliente final não terá a ver com incapacidade do
armador, mas com encargos regulatórios", frisou.

