O presidente do Governo Regional, Miguel Albuquerque,
revelou, esta quarta-feira, que a avaliação técnica relativa à actualização de
custos da terceira fase do novo hospital deverá estar concluída “dentro de duas
semanas”, seguindo-se depois o lançamento de um novo concurso internacional
para a obra.

À margem de uma visita à empresa Press Power Unipessoal Lda, no Funchal, o governante reagiu à manchete de hoje do DIÁRIO que dá conta da possibilidade
de o custo total do hospital poder atingir os mil milhões de euros, após o
concurso para a terceira fase ter ficado deserto.

“Penso que teremos condições, dentro de 15 dias, de ter essa
avaliação”, afirmou Miguel Albuquerque, explicando que o Governo Regional está
a concluir uma análise técnica sobre o impacto do aumento dos custos da
construção civil, dos materiais e da mão-de-obra. O chefe do executivo confirmou que haverá uma revisão dos
preços inicialmente previstos, justificando essa actualização com o aumento
significativo dos custos dos materiais de construção e da mão-de-obra nos
últimos anos. “O que nós dissemos e dizemos é que houve um aumento
substancial dos custos de construção, dos materiais e da mão-de-obra e isso
leva a que haja uma actualização do preço”, afirmou.

O presidente do executivo madeirense explicou que o Governo
está actualmente a proceder a uma análise técnica detalhada dos custos
associados à fase final da empreitada, considerada mais complexa e
tecnologicamente exigente. “Esta última fase é muito mais técnica e muito mais
complexa, com um conjunto de materiais muito díspares e com uma inserção
tecnológica muito grande”, referiu, acrescentando que o processo está ainda
“dentro do prazo”.

Apesar de admitir um agravamento dos custos da obra, Miguel
Albuquerque não confirmou, nesta fase, qualquer valor concreto. “Nada indica, neste momento, que vá para mil milhões de
euros. Vai haver uma subida, mas não posso dizer neste momento qual será”,
declarou à margem da visita.

Segundo explicou, após a conclusão da avaliação técnica será
lançado um novo concurso internacional ajustado aos preços actuais do mercado.
O governante lembrou ainda que parte da subida dos custos está associada ao
contexto internacional, nomeadamente aos impactos provocados pela guerra na
Ucrânia no sector da construção.

Sobre o financiamento adicional necessário para
acomodar a revisão dos preços, Miguel Albuquerque recordou, em declarações aos jornalistas, que o compromisso
assumido pela República mantém-se, garantindo a comparticipação de 50% da obra. “Isso é um compromisso da República e, como é óbvio, teremos
de fazer a actualização e essa actualização terá de ser aprovada”, afirmou.

Miguel Albuquerque referiu ainda que o aumento dos custos de
construção é uma realidade transversal a várias obras públicas, apontando como
exemplo os encargos adicionais verificados em empreitadas no Porto Santo.