A paz social e o entendimento entre comunidades fazem-se
através do diálogo intercultural e do reconhecimento da diversidade como parte
integrante da sociedade portuguesa. A posição foi defendida por Ana Rita Gil,
professora catedrática e consultora da Organização das Nações Unidas (ONU), à
margem da conferência ‘Multiculturalidade: A Diferença que nos Une’, que
decorre no auditório da reitoria da Universidade da Madeira, no Colégio dos
Jesuítas, no Funchal.
Num tempo que descreve como “cada vez mais extremado”, com
reflexos também em Portugal, a professora catedrática sublinhou a importância
de reforçar o diálogo entre culturas. “A paz entre as pessoas faz-se com o
diálogo entre culturas”, afirmou, defendendo que a diversidade sempre fez parte
da história nacional.
Ana Rita Gil considerou ainda que os fluxos migratórios
devem ser encarados como uma oportunidade e não como uma ameaça. “Estas
culturas vêm enriquecer o povo português, não são qualquer ameaça, muito pelo
contrário, vêm potenciar as nossas riquezas e a nossa capacidade de trabalho,
de desenvolvimento de negócio e a nossa educação”, referiu.
Questionada sobre o impacto da imigração no contexto da
crise da habitação, a especialista afastou leituras simplistas, defendendo que
a resposta deve ser encontrada ao nível das políticas públicas. “Não são uma
ameaça nesse sentido, depende do Governo e das autoridades saberem responder
aos problemas”, afirmou.
Apontou, então, a necessidade de reforçar o parque
habitacional e de ajustar políticas de regulação e acesso à habitação à
diversidade socioeconómica das populações migrantes. “Temos populações
migrantes muito diversificadas em termos de poder de compra e esse será o grande
desafio”, concluiu.

