A capital madeirense e o concelho da Calheta, estão entre os concelhos mais caros para comprar casa em Portugal, sendo que para o Funchal também está entre os mais caros para alugar casa, o que não é nenhuma novidade para quem segue estes indicadores regularmente. Segundo o mais recente Barómetro de Concelhos do Imovirtual, "o mercado
imobiliário em Portugal apresenta diferenças cada vez mais acentuadas entre
concelhos", com diferenças abismais, em Abril de 2026, como os que aponta: Os preços de compra variam entre os 67.000 euros em Vimioso
e os 1.350.000 euros em Cascais.
Para se ficar com uma ideia mais precisa - "evidenciando um aumento da
disparidade entre territórios -, diz a Imovirtual que "mais do que uma diferença de preços, esta
amplitude revela um mercado cada vez mais desigual, onde a localização se torna
determinante no acesso à habitação. Entre os
concelhos mais caros do país, o top 10 é liderado pelo já referido concelho de Cascais, seguido (€1.350.000)
e Grândola (€1.300.000), Calheta (Madeira) (€920.000),
Loulé (€799.000) e Castro Marim (€780.000). O
ranking inclui ainda São Brás de Alportel (€750.000), Oeiras
(€720.000), Lisboa (€703.000), Faro (€654.500)
e Funchal (€650.000), refletindo uma forte concentração de preços
elevados no litoral, Algarve e regiões insulares", analisa.
Aliás, acrescenta, "esta
concentração não é apenas geográfica — traduz também uma pressão crescente
sobre determinados territórios, onde a procura supera a oferta disponível e
contribui para uma valorização mais acelerada dos preços", sendo este um problema detectado e reforçado nos últimos anos. "Dentro destes
mercados, observam-se dinâmicas distintas na evolução dos preços. São Brás
de Alportel regista uma valorização anual de +52%, passando de €495.000
para €750.000, evidenciando a crescente atratividade de mercados
secundários. Em sentido contrário, Lisboa apresenta um ligeiro
ajustamento de -2%, de €720.000 para €703.000, sinalizando
uma possível fase de estabilização após períodos de forte valorização".
Já no segmento
mais acessível, encontra no top 10 dos concelhos com preços mais baixos, além do já referido Vimioso, seguem-se Almeida (€69.000), Nisa (€69.500), Proença-a-Nova e Gouveia (ambos €70.000), Mação
(€72.500), Penedono e Miranda do Douro (ambos €72.500),
Alfândega da Fé (€75.000) e Chamusca (€75.000).
"Mais do que
acessibilidade, estes valores refletem menor dinamismo de mercado, menor
liquidez e menor pressão da procura, fatores que condicionam a evolução dos preços
nestes territórios", analisa do ponto de vista negativo. Esta evidência de uma realidade completamente distinta é reflectida no facto de 650 mil euros pagos no Funchal daria para comprar 9 a 10 casas em qualquer um dos concelhos mais baratos ou os 920 mil euros daria para 13 a 14 casas nesses mesmos concelhos, o que com essa quantidade de imóveis tornaria qualquer pessoas investidor imobiliário, mais do que um comprador de uma casa para viver.
Como referido, Funchal também destaca-se no sector do aluguer. "No
arrendamento, a disparidade entre concelhos mantém-se evidente. Os valores
variam entre cerca de €740 em Coimbra e os €2.560 em Cascais,
refletindo diferenças significativas no custo de acesso à habitação. Entre os
concelhos com rendas mais elevadas, o top 10 é liderado por Cascais (€2.560),
seguido de Lisboa (€1.850) e Oeiras (€1.700). O
ranking inclui ainda Lagos (€1.650), Funchal (€1.625),
Faro (€1.539), Albufeira (€1.514), Tavira (€1.500),
Óbidos (€1.400) e Sintra (€1.400), evidenciando a
pressão da procura nas zonas costeiras e turísticas", REALÇA.
Já "nos mercados
de arrendamento com valores mais baixos, o top 10 evidencia uma realidade
distinta. Coimbra surge como o mercado mais acessível, com uma renda
média de €740 (menos de metade do Funchal), seguido de Guimarães (€848) e Leiria
(€850). O ranking inclui ainda São João da Madeira (€850),
Beja (€855), Santarém (€950), Aveiro (€950),
Peniche (€1.000), Nazaré (€1.100) e Braga (€1.100)".
Constata o Imovirtual que, "ainda assim,
mesmo nos mercados mais acessíveis, os valores mantêm-se acima dos €700,
evidenciando uma subida generalizada no custo do arrendamento em todo o país".
O que estes dados mostram é um mercado cada vez mais fragmentado, onde os preços deixam de refletir uma tendência nacional e passam a ser definidos por dinâmicas muito locais. Concelhos com maior pressão da procura e menor oferta disponível continuam a valorizar, enquanto mercados com menor liquidez tendem a estabilizar ou corrigir. Esta divergência está a acentuar as diferenças no acesso à habitação entre territórios.
E conclui: "Este
comportamento evidencia uma mudança estrutural no mercado imobiliário. Mais do
que uma tendência nacional homogénea, são hoje as características específicas
de cada território que determinam a evolução dos preços, reforçando um cenário
de crescente desigualdade entre concelhos."

