Quase duas dezenas de pessoas — entre mulheres, homens e crianças — participam esta tarde numa concentração promovida pelo Movimento Democrático das Mulheres da Região Autónoma da Madeira (MDM), na Ponte de São João, em frente à Estátua dos Professores, no Funchal, para assinalar o Dia Internacional da Mulher.

A iniciativa integra também as comemorações dos 50 anos da Constituição da República e pretende chamar a atenção para a necessidade de garantir que os direitos consagrados na lei sejam efectivamente aplicados na prática, evitando retrocessos legais e sociais.

Em declarações aos jornalistas, Elisa Mendonça sublinhou que muitas das conquistas alcançadas pelas mulheres continuam a enfrentar fragilidades, apontando preocupações sobretudo ao nível das condições laborais. Entre os temas destacados estão medidas que, segundo o movimento, fragilizam direitos relacionados com a maternidade e paternidade, o horário flexível e a jornada de trabalho contínua.

A responsável alertou ainda para a persistência de baixos salários, contratos precários — como os chamados recibos verdes — e situações de empobrecimento que afectam particularmente as mulheres. O movimento defende igualmente a criação de regras que evitem o trabalho ao fim-de-semana em sectores não essenciais, permitindo uma melhor conciliação entre vida familiar, profissional e participação cívica.

Na área da saúde, Elisa Mendonça defendeu maior atenção às especificidades da saúde feminina, incluindo o reconhecimento da endometriose como doença incapacitante e melhorias no atendimento nas urgências.

A dirigente destacou também a importância da organização colectiva das mulheres, lembrando que muitas continuam sobrecarregadas com tarefas domésticas e de cuidados a crianças e idosos, o que limita o tempo disponível para participar em debates e processos de decisão.

A partir das 16h00, a iniciativa prossegue com um momento de encontro, reflexão e debate na Pousada da Juventude, dedicado à importância da colectividade e da organização das mulheres enquanto força transformadora da sociedade.

O encontro é aberto à participação de toda a comunidade e pretende promover um espaço de mobilização, partilha e construção colectiva em torno da defesa dos direitos das mulheres.