Uma equipa internacional de cientistas identificou um circuito
cerebral até agora desconhecido que atua como um "interruptor
biológico" para o sono em peixes-zebra, uma descoberta que pode ter
aplicações futuras no tratamento da insónia nos humanos.
O estudo incluiu investigadores do Instituto de Investigação
Marinha do Conselho Superior de Investigações Científicas (IIM-CSIC), através
do seu grupo de Biotecnologia Aquática (Acuabiotec), noticiou na quarta-feira, 5 de Março, a
agência Europa Press.
Em comunicado, a delegação do CSIC na Galiza explicou que esta
descoberta oferece novas pistas sobre a forma como o cérebro decide quando
dormir.
"Esta descoberta pode ter potenciais aplicações futuras no
tratamento da insónia em humanos", explicaram.
O estudo, publicado recentemente na revista Current Biology,
analisou a atividade de um grupo de neurónios hipotalâmicos em larvas de
peixe-zebra, uma espécie amplamente utilizada em investigação biomédica devido
às suas semelhanças com o cérebro humano.
A investigação, liderada pelo Instituto de Tecnologia da
Califórnia (Caltech), contou com a participação do IIM-CSIC (Acuabiotec), da
Universidade Estadual da Califórnia e da Universidade de Exeter.
A equipa de investigação identificou novos neurónios que expressam
os genes Qrfp e Pth4 como promotores do sono em peixes.
Durante o processo, foram utilizadas técnicas de edição genética
para examinar peixes com deficiência do neuropeptídeo Qrfp ou do Pth4, com o
objetivo de determinar os efeitos de cada um sobre o sono.
Os resultados obtidos revelam que o neuropeptídeo Pth4 é
responsável por ativar o mecanismo de promoção do sono através de um sistema
duplo, inibindo os neurónios que promovem a vigília e estimulando os que
promovem o repouso.
"Estes neurónios não atuam isoladamente, comunicam com outras
regiões profundas do cérebro através de neurotransmissores como a noradrenalina
e a serotonina, permitindo ao cérebro fazer a transição gradual da vigília para
o sono num processo muito mais dinâmico e coordenado do que se pensava",
explicou Josep Rotllant, professor investigador do CSIC e chefe do grupo de
Biotecnologia Aquática (Acuabiotec) do IIM-CSIC.
A investigação revelou ainda que estes neurónios são
particularmente ativos quando o peixe permanece acordado durante longos
períodos, fazendo parte do sistema que mede a necessidade acumulada de repouso.
Este mecanismo garante a transição para o sono em momentos
críticos, protegendo funções vitais como a memória, a reparação celular e a
regulação energética.
"Embora os humanos não possuam exatamente a mesma molécula,
acreditamos que este circuito reflete um sistema evolutivo antigo, partilhado
entre diferentes espécies, que ajuda a conservar energia e a manter o
equilíbrio do corpo, e cuja compreensão pode abrir novos caminhos para o
tratamento da insónia e de outros distúrbios do sono", acrescentou
Rotllant.
