O antigo presidente brasileiro Michel Temer anunciou o apoio a
Flávio Bolsonaro na segunda volta das eleições presidenciais, afirmando que os
resultados de domingo mostram que os brasileiros querem uma mudança.
"As urnas falaram. O povo brasileiro, autoridade única da
democracia, deixou claro que deseja mudança", afirmou Temer, que presidiu
ao Brasil entre 2016 e 2018, numa mensagem intitulada "Declaração à
Nação", divulgada na segunda-feira.
O antigo chefe de Estado, que era vice-presidente de Dilma
Rousseff e assumiu a Presidência após a sua destituição num processo de
'impeachment', frisou que a "renovação apareceu fortemente na composição
do Congresso Nacional".
O Partido Liberal (PL), liderado por Jair Bolsonaro, que cumpre em
prisão domiciliária uma longa pena de prisão por tentativa de golpe de Estado,
saiu reforçado e será a maior força no Senado, com 28 dos 81 lugares.
Um desses lugares será ocupado por Michelle Bolsonaro, mulher de
Jair, e outro por Carlos Bolsonaro, irmão de Flávio.
O cenário na Câmara dos Deputados é semelhante. Segundo uma
projeção oficial, o PL será o maior grupo parlamentar na câmara baixa, com 121
dos 513 deputados, mais 24 do que nas eleições de 2022.
Essa força manifestou-se também na candidatura à Presidência da
República, com o seu candidato, Flávio Bolsonaro, a chegar "ao segundo
turno em primeiro lugar", disse, numa referência ao senador do Partido
Liberal, que terminou a primeira volta à frente de Lula da Silva.
"A sociedade não quer fórmulas repetidas e discursos
grosseiros. Quer novas ideias, novas atitudes, novos projetos e um caminho
diferente", declarou.
"Quer, portanto, reconexão. E reconexão é Flávio",
concluiu Temer.
Flávio Bolsonaro obteve no domingo 47,02% dos votos, uma vantagem
de quase dois pontos percentuais sobre o atual chefe de Estado, Lula da
Silva (45,16%).
Ambos disputarão a Presidência na segunda volta, em 25 de Outubro.
