Cerca de seis dezenas de pessoas manifestaram-se hoje em Faro em solidariedade com as acampadas de Lisboa e Porto e em protesto contra o preço elevado das casas, que estão cada vez mais fora do seu alcance.
"Estamos aqui contra a desigualdade, que está a aumentar de uma forma brutal. A luta pela habitação é a luta pela democracia", afirmou Afonso Coelho, do movimento Algarve em Resistência.
O coletivo organizou a manifestação "em solidariedade" com os protestos noutros pontos do país e em protesto contra "a lógica do rentismo" que está a "pôr as pessoas sob uma violência muito grande no dia-a-dia", acrescentou.
"A maior parte do seu salário, do seu tempo de trabalho, é para pagar aos senhorios", sublinhou o representante da organização, que pretende promover no futuro um movimento "mais amplo" no Algarve, capaz de "mobilizar mais pessoas para as ruas".
O protesto marcado para as 19:00, em frente à Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Algarve, arrancou morno, mas o número de pessoas foi crescendo e, meia hora depois, já eram cerca de seis dezenas.
Entoavam palavras de ordem como "Abaixo o Governo que vai cair e viva o Algarve a resistir", "Teto e chão, direito à habitação", ou "Queremos casas para morar, não para especular".
Nos cartazes que empunhavam, liam-se mensagens como "Menos bastão, mais habitação", "Sim, sou egoísta, quero uma casa para viver", "Casa para viver, tenda para resistir", ou "Um país sem habitação é um país sem justiça".
Pedro Brandão, investigador na Universidade do Algarve, disse à Lusa que se juntou à manifestação de hoje para manifestar o "desagrado" pela atual crise da habitação.
A viver num quarto, num apartamento partilhado com mais três pessoas, garantiu que, mesmo tendo um ordenado "que não é mau", o elevado custo da habitação o afasta da possibilidade de conseguir pagar renda sozinho ou ter acesso a crédito bancário.
"Está tudo muito alto e muito elevado. Ficar sozinho é algo que neste momento é impossível, ter uma casa só para mim está fora do meu alcance", destacou.
Com uma das suas três crianças ao colo, Júlia Vânia, a contas com um crédito à habitação, contou à Lusa que o atual custo de vida "é incomportável para as famílias".
"Todas as semanas notamos no supermercado, nos preços dos bens alimentares essenciais, no gasóleo, tudo está a subir. A prestação da casa também aumenta com os juros, temos de fazer uma vida humilde para comportar o aumento do custo de vida", referiu.
A PSP deteve hoje 55 manifestantes que alegadamente resistiram quando a força de segurança retirou as tendas da Acampada de Lisboa que se encontrava na Praça D. Pedro IV (Rossio).
Todos os 55 manifestantes foram constituídos arguidos, libertados e notificados para apresentação no Tribunal de Pequena Instância, na quarta-feira, disse à Lusa fonte da PSP.
Os protestos pelo direito à habitação e o custo de vida tiveram início em Portugal, na cidade do Porto, a 10 de outubro, com cerca de 1.500 manifestantes a juntarem-se na Praça D. João I, junto ao Rivoli, e a pernoitarem no local em tendas de campismo.
