O Banco Central Europeu (BCE) e os bancos centrais nacionais dos
países da zona do euro pretendem assumir os custos de criação e funcionamento
da infraestrutura central do euro digital.
O BCE não pretende cobrar comissões pelo sistema, nem pelo
processamento das transações com o euro digital, afirmou hoje o membro do
comité executivo Piero Cipollone, numa videoconferência organizada pela agência
financeira MNI.
"O euro digital também está a ser concebido tendo em conta um
modelo económico sustentável", assegurou o responsável.
Além disso, "os bancos e os prestadores de serviços de pagamento
receberiam uma compensação pelos serviços que prestarem", acrescentou o
economista italiano.
Todos estes pormenores estão atualmente a ser debatidos no
processo legislativo para a aprovação do euro digital, sendo que o Conselho
Europeu instou a que as negociações sejam concluídas até ao final do ano.
O euro digital será um meio de pagamento e não um produto de
investimento, pelo que não renderá juros e haverá limites aos montantes
individuais que se poderão deter, explicou Piero Cipollone.
O BCE propõe que os utilizadores associem os euros digitais a uma
conta bancária comercial, de modo a poderem efetuar pagamentos que excedam o
saldo em euros digitais, cobrindo a diferença com fundos dessa conta.
Desta forma, seria possível impulsionar a introdução do euro
digital e reduzir as detenções individuais.
O BCE analisou os efeitos de limites hipotéticos entre 500 e 3.000
euros nos balanços de 2.025 bancos.
"Os limites de detenção são eficazes para conter as saídas de
depósitos e salvaguardar a estabilidade financeira", sublinhou Cipollone.
O BCE analisou dois cenários: o de continuidade e outro extremo,
em que os cidadãos venderiam os euros digitais numa crise para se refugiarem
noutro ativo que considerassem mais seguro, algo que não aconteceu durante os
primeiros 25 anos de existência do euro.
Em ambos os casos, não se verificam problemas significativos de
liquidez e financiamento nos bancos.
O BCE calcula uma possível entrada de depósitos de 127.000 milhões
de euros até 2034, valor equivalente a 0,4% dos ativos do setor bancário ou a
1,5% dos depósitos à vista de particulares.
Este valor supera as saídas previstas no cenário de continuidade
para limites até 3.000 euros e, por conseguinte, não se registaria qualquer
saída líquida agregada.
O coeficiente de cobertura de liquidez diminuiria de 166% para
163%, com um limite de 3.000 euros, enquanto o coeficiente agregado de
financiamento estável líquido diminuiria de 128% para 127%.
