Num país dividido ao meio, mais de 158 milhões de brasileiros são chamados às urnas para escolher entre Lula, de esquerda, e Bolsonaro, dedireita, após uma campanha que terminou com os dois candidatos empatados nas sondagens.
Recuando na História, e desde a introdução do sistema de duas voltas nas presidenciais brasileiras, em 1989, nenhum candidato que ficou em segundo lugar na primeira volta conseguiu vencer as eleições na segunda volta e tornar-se Presidente.
Na primeira volta, em 04 de outubro, Flávio Bolsonaro obteve 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Lula da Silva, uma vantagem de 2.224.965 votos.
Luiz Inácio Lula da Silva, do Partido dos Trabalhadores e antigo sindicalista, procura a reeleição aos 80 anos e o seu quarto mandato, enquanto o senador Flávio Bolsonaro, filho do ex-Presidente Jair Bolsonaro, do Partido Liberal e apoiado pela direita, tenta devolver o poder ao campo bolsonarista, quatro anos depois da derrota do pai contra o ex-oporário que ele tenta agora derrotar.
Lula da Silva, 45 anos, deverá votar pelas 08:00 locais (12:00 em Lisboa) na Escola Estadual João Firmino Correia de Araújo, em São Bernardo do Campo, no estado de São Paulo. O Presidente acompanhará depois a contagem dos votos no Hotel Renaissance, na capital paulista, ao lado do vice-presidente Geraldo Alckmin.
Já Flávio Bolsonaro, 45 anos, deverá votar à mesma hora que o seu oponente, mas numa escola municipal da Tijuca, na zona norte do Rio de Janeiro, berço político da família Bolsonaro, seguindo depois para Brasília, onde acompanhará os resultados eleitorais.
Urnas abrem numa Sérvia dividida entre o populista Vucic e um movimento de estudantes
Cerca de 6,5 milhões de sérvios são hoje chamados a votar numas eleições legislativas antecipadas, nas quais o movimento de estudantes saído dos protestos anti-governamentais desafia o ex-presidente Aleksandar Vucic, que pretende manter-se no poder como primeiro-ministro.
As eleições legislativas estavam inicialmente previstas para dezembro de 2027, mas foram antecipadas na sequência de manifestações massivas lideradas por estudantes, frequentemente reprimidas com violência, desencadeadas por um acidente numa estação ferroviária em Novi Sad, que causou 16 mortos em 2024.
Vucic, 56 anos, demitiu-se da presidência no final de setembro para concorrer agora ao lugar de primeiro-ministro, cargo que já tinha ocupado entre 2014 e 2017, ano em que foi eleito Presidente.
A Lista de Estudantes, um movimento sem líder criado na sequência dos protestos massivos que denunciavam a corrupção e autoritarismo de Vucic, é a mais bem posicionada para afastar Vucic do poder, antevendo-se uma votação renhida.
O ato eleitoral será acompanhado por observadores internacionais, nomeadamente do Escritório para as Instituições Democráticas e Direitos Humanos da Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE), da Assembleia Parlamentar da OSCE e do Parlamento Europeu.
Portugal estará representado por três deputados, que integram a missão da Assembleia Parlamentar da OSCE: António Rodrigues (PSD), Luís Graça (PS) e Nuno Gabriel (Chega).
Presidenciais na Bulgária marcadas por dificuldades económicas e guerra
Os búlgaros votam hoje para eleger um novo Presidente, após uma campanha centrada na guerra russa na Ucrânia e na intensificação das hostilidades no mar Negro, junto à Bulgária, incluindo ataques letais de drones a cargueiros.
Os candidatos presidenciais abordaram ainda os receios da população quanto à subida dos preços da energia e à inflação crescente, num cenário em que muitos búlgaros, sobretudo nas zonas rurais, enfrentam dificuldades em suportar as despesas básicas.
A favorita nas sondagens é uma aliada próxima do primeiro-ministro Rumen Radev: a vice-presidente durante nove anos de mandato presidencial de Radev e que assumiu o cargo presidencial após o abandono do político, Iliana Iotova.
De acordo com uma sondagem da Market Links divulgada na quarta-feira, Iliana Iotova reúne 47,3% das intenções de voto, contra 30,6% para o economista Andrey Gyurov, de 50 anos, o candidato apoiado pela oposição reformista e pró-ocidental.
A participação poderá, contudo, ficar abaixo dos 40% nestas presidenciais, que contam com 27 candidatos - aquém, portanto, do limiar dos 50% que tornariam o seu resultado vinculativo -, obrigando à realização de uma segunda volta do escrutínio.
Em caso de vitória na segunda volta, agendada para 01 de novembro, Iliana Iotova tornar-se-á a primeira mulher eleita como Presidente deste país balcânico de 6,6 milhões de habitantes, membro da União Europeia (UE) e da NATO.
