A Arquidiocese de Nova Iorque confirmou no sábado ter chegado a acordo para compensar com mais de 800 milhões de dólares (cerca de 714 milhões de euros) centenas de vítimas de abusos sexuais por parte de membros do clero.

O acordo, que deverá ser formalmente assinado no início de novembro, marca o fim de muitos anos de difíceis negociações para as vítimas, dado que a Igreja Católica norte-americana tem estado envolvida desde o início dos anos 2000 em vários escândalos de abusos sexuais, refere a agência noticiosa France-Presse (AFP).

"Estamos prestes, graças a Deus, a trazer um pouco de conforto a todas as vítimas", escreveu Ronald Hicks, o novo Arcebispo de Nova Iorque, num 'e-mail' enviado aos padres da sua diocese e reencaminhado para a AFP.

Segundo o jornal The New York Times, que divulgou a notícia, cada uma das cerca de 1.300 vítimas receberá pelo menos 250.000 dólares (à volta de 223.000 euros), dependendo o valor da gravidade dos abusos sofridos.

Ronald Hicks foi nomeado bispo no ano passado pelo Papa Leão XIV, substituindo o cardeal conservador Timothy Dolan, que pouco antes da sua saída tinha anunciado a criação de um fundo de 300 milhões de dólares (267,8 milhões de euros) para indemnizar as vítimas de abusos sexuais.

Na década de 2000, investigações da imprensa revelaram que padres católicos dos Estados Unidos tinham abusado sexualmente de milhares de crianças ao longo de várias décadas e que a hierarquia da Igreja, incluindo os bispos, encobriu muitas vezes os casos ou transferiu os sacerdotes abusadores em vez de os denunciar às autoridades.

As dioceses tiveram de pagar centenas de milhões de dólares em indemnizações e foram criados programas para compensar as vítimas sem a realização de julgamentos.

No passado mês de junho, a Arquidiocese de São Francisco anunciou ter chegado a um acordo para pagar 395 milhões de dólares (352,6 milhões de euros) a cerca de 530 vítimas de abusos sexuais cometidos por membros do clero e resolver os seus processos judiciais.