O Bloco de Esquerda levou, este sábado, um campo de minigolfe improvisado até à frente da Quinta Vigia, no Funchal, para contestar os investimentos do Governo Regional e exigir que o dinheiro público seja aplicado na construção de habitação a preços acessíveis.

A iniciativa, protagonizada por Diogo Teixeira, serviu para criticar as prioridades do Executivo de Miguel Albuquerque, numa altura em que, segundo o dirigente bloquista, muitas famílias enfrentam dificuldades para suportar o custo das rendas.

Declarações de Diogo Teixeira

"Nós estamos aqui para falar não sobre campos de golfe, mas para falar sobre habitação", começou por afirmar, apontando os investimentos públicos em projectos no Porto Santo, em Santana e na Ponta do Pargo.

Diogo Teixeira considerou "ridículo" que o Governo continue a canalizar milhões de euros para este tipo de infraestruturas, quando existem pessoas que não sabem se conseguirão pagar a renda no mês seguinte.

Foto Rui Silva/ASPRESS
Foto Rui Silva/ASPRESS

Como forma de protesto, o partido construiu um pequeno campo de golfe com materiais reciclados, que custou cerca de cinco euros, deixando uma sugestão ao presidente do Governo Regional.

A nossa sugestão é que Miguel Albuquerque se entretenha com este campo de golfe e que não gaste mais milhões do erário público para promover negócios para as elites.

O representante do Bloco de Esquerda acusou ainda o Executivo de favorecer interesses privados, alegando que os campos de golfe construídos com financiamento público acabarão por ser concessionados a empresas.

"O gasto é público e o lucro será privado", criticou, considerando que estes investimentos servem para promover negócios associados ao poder político regional.

Declarações de Diogo Teixeira

Em alternativa, o Bloco de Esquerda propõe que as verbas destinadas aos campos de golfe sejam utilizadas para aumentar a oferta de habitação na Madeira e no Porto Santo. "Aquilo que o Bloco propõe é que este dinheiro não seja gasto em campos de golfe, seja gasto para construir habitação", afirmou Diogo Teixeira.

O dirigente defendeu a construção de novos fogos com rendas acessíveis e compatíveis com os rendimentos da população. "A nossa proposta não é dar casas às pessoas, é fazer com que as casas sejam possíveis de pagar", esclareceu, insistindo na necessidade de garantir que os salários permitem suportar os encargos habitacionais.

BE rejeita críticas de Albuquerque aos protestos

Questionado sobre as declarações de Miguel Albuquerque, que associou à extrema-esquerda a instrumentalização dos protestos em torno da habitação, Diogo Teixeira rejeitou as acusações e voltou a criticar a actuação do presidente do Governo Regional.

O bloquista considerou "inaceitável" a tentativa de associar as manifestações a interesses partidários, sustentando que o descontentamento resulta das dificuldades sentidas pela população.

Miguel Albuquerque não está a governar para o povo. Miguel Albuquerque governa para as elites.

"Isto são reivindicações populares. Isto são reivindicações do povo. E se Miguel Albuquerque sair para falar com as pessoas, vai ouvir isto das pessoas", afirmou.

Confrontado com a menor dimensão dos protestos na Madeira, em comparação com Lisboa e Porto, Diogo Teixeira alegou que existe receio de participar em manifestações devido ao prolongado domínio político do PSD na Região.

Declarações de Diogo Teixeira

O dirigente disse ter conhecimento de testemunhos de pessoas que receiam represálias pela participação em iniciativas de contestação, apelando aos madeirenses para que não deixem de exercer o direito à manifestação. "A Madeira tem de começar a deixar de ter medo de sair à rua, porque são os nossos direitos", defendeu.

Diogo Teixeira adiantou ainda ter conhecimento de iniciativas e manifestações que estarão a ser preparadas na Região, manifestando o apoio do Bloco de Esquerda.

Quanto aos protestos registados no continente, o dirigente declarou solidariedade para com os manifestantes pacíficos, embora tenha reconhecido que existem situações em que algumas pessoas procuram aproveitar-se dos movimentos de contestação para ultrapassar os limites das reivindicações legítimas.

O representante do Bloco criticou também a actuação policial nas manifestações de Lisboa e do Porto, acusando as autoridades de terem recorrido à força contra manifestantes pacíficos, uma interpretação que apresentou sem concretizar os episódios a que se referia.

Estamos solidários com todos aqueles que de forma pacífica se manifestam pela habitação, porque é um direito e ainda bem que o fazem.