O 15.º Festival Internacional de Órgão da Madeira apresenta, este sábado, dia 24 de Outubro, a obra 'Insulana'. Trata-se de uma obra para soprano, órgão e cordas inspirada no poema épico homónimo de Manuel Tomás. A sessão está marcada para as 21h30, na Sé do Funchal.

Esta apresenta-se insere-se nas comemorações dos 50 anos da Autonomia da Região e presta homenagem tanto à história como à identidade da Madeira. A obra reúne quatro composições que serão interpretadas sucessivamente, formando um percurso musical inspirado em diferentes momentos do poema de Manuel Tomás. O projecto foi desenvolvido a partir de quatro excertos seleccionados por Marta Marecos Duarte e entregues aos compositores portugueses João Santos, Daniel Davis, João Caldeira e Sérgio Silva, estes últimos dois naturais da Madeira.

"Embora partam de uma mesma referência literária, as quatro peças reflectem abordagens musicais distintas, evidenciando a liberdade criativa e a personalidade de cada compositor. Em conjunto, constituem uma tetralogia que percorre diferentes dimensões da história e da representação da Ilha, desde os relatos associados ao seu descobrimento até à expressão da sua abundância natural e espiritual", explica nota enviada à imprensa.

Quanto à interpretação, estará a cargo da soprano Patrycja Gabrel, acompanhada pela organista Laura Silva Mendes e pela Orquestra Clássica da Madeira, sob a direcção de Norberto Gomes.

O Secretário Regional de Turismo, Ambiente e Cultura, Eduardo Jesus, refere que “a apresentação de 'Insulana' representa um exemplo de como o património literário da Madeira pode inspirar novas formas de criação artística e contribuir para valorizar a nossa identidade cultural. Ao transformar em música uma obra que evoca a história, a paisagem e a dimensão espiritual da Ilha, este projecto estabelece uma ligação entre a memória coletiva e a criação contemporânea”.

O governante destaca ainda a importância de associar esta iniciativa às comemorações dos 50 anos da Autonomia da Madeira, sublinhando que “assinalar esta data é também reconhecer a riqueza do percurso cultural da Região e a capacidade dos nossos artistas de reinterpretar o legado que recebemos. A reunião de quatro compositores portugueses, com diferentes perspectivas musicais, dá origem a uma obra que celebra a Madeira através da diversidade da criação artística”.

A obra

A primeira secção, Revelação, de João Santos, evoca a história de Robert Machim e Ana de Harfet, cruzando a descoberta da Ilha, o deslumbramento perante a natureza e a dimensão trágica da narrativa. A escrita musical alterna momentos de carácter épico com passagens mais descritivas e recitativas, num percurso que conduz da plenitude à perda, terminando num ambiente de memória e saudade.

Em Sonho, João Caldeira apresenta uma representação da Ilha através do sonho, num cenário musical em que as palavras dão forma à sua revelação ao navegador João Gonçalves Zarco. A composição explora a dimensão poética deste encontro, valorizando as nuances do texto e a sua relação com o espaço sonoro.

A terceira secção, In dedicatione, da autoria de Sérgio Silva, parte da temática religiosa presente no poema e recorre ao canto gregoriano como principal referência musical. A utilização de melodias associadas à liturgia da Dedicação de uma Igreja estabelece uma ligação entre a composição e a dimensão espiritual do texto.

Por sua vez, Campos Elísios, de Daniel Davis, inspira-se na quarta parte do poema, dedicada à abundância da Madeira, propondo uma viagem pelas paisagens da Ilha. Campos, mar e montanhas são evocados através de um motivo musical que se transforma ao longo da peça, acompanhando a reflexão sobre diferentes olhares: o de quem vive na Madeira, o de quem dela partiu e o de quem a contempla à distância.