O secretário regional da Economia, José Manuel Rodrigues, defendeu, esta terça-feira, que os instrumentos de financiamento à inteligência artificial devem ser acessíveis às pequenas e médias empresas (PME), alertando que a existência de apoios públicos não significa, necessariamente, que estes cheguem a quem mais precisa.

A posição foi assumida na abertura do encontro inter-regional do projecto europeu embrAIsme, que decorre até amanhã, no Colégio dos Jesuítas, no Funchal, numa organização do Instituto de Desenvolvimento Empresarial (IDE).

Intervenção José Manuel Rodrigues

Na intervenção, o governante destacou as dificuldades que muitas empresas enfrentam para acompanhar a transformação digital, sobretudo devido aos custos de investimento, à falta de competências especializadas e à necessidade de reorganização interna.

“Há uma distância considerável entre o anúncio de uma inovação e a sua presença efectiva no quotidiano de uma empresa”, afirmou, considerando que essa diferença pode aprofundar as desigualdades entre empresas de diferentes dimensões.

José Manuel Rodrigues lembrou que as PME representam uma parte essencial do emprego e da actividade económica, mas dispõem frequentemente de menores recursos financeiros e técnicos para investir em novas tecnologias.

Apoios podem existir e continuar inacessíveis

O secretário regional apontou os instrumentos de apoio ao investimento disponibilizados através do IDE, no âmbito do Madeira 2030, como importantes para estimular a modernização das empresas.

Contudo, advertiu que a eficácia dessas medidas depende da capacidade de responder às necessidades concretas do tecido empresarial.

Foto SRE
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“Um instrumento pode estar formalmente disponível e continuar inacessível para quem dele mais necessitaria”, alertou, identificando a complexidade dos procedimentos, os critérios inadequados à dimensão das empresas e as exigências técnicas como possíveis obstáculos.

O governante defendeu, por isso, que o financiamento deve ser acompanhado por investimento na formação dos trabalhadores e na organização das empresas.

Financiar a tecnologia sem as competências que a tornam utilizável seria uma meia medida, e as meias medidas raramente alteram trajectórias.

José Manuel Rodrigues considerou ainda que a insularidade, a distância aos principais mercados e os custos acrescidos da actividade económica tornam particularmente importante adaptar os instrumentos de financiamento à realidade madeirense.

Projecto reúne oito países europeus

O encontro do projecto embrAIsme junta representantes de entidades de oito países europeus, com o objectivo de identificar soluções que facilitem a adopção da inteligência artificial pelas pequenas e médias empresas.

Durante os dois dias, os participantes vão debater políticas de inovação, conhecer experiências empresariais e visitar a Startup Madeira e o centro de inteligência artificial da DataMentors. Está também prevista a apresentação de um caso do grupo PortoBay Hotels sobre a aplicação destas tecnologias à actividade empresarial.

Foto SRE
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Para José Manuel Rodrigues, a cooperação europeia deve traduzir-se em melhorias concretas nas políticas públicas, e não limitar-se à partilha de experiências.

A utilidade deste encontro mede-se pela capacidade de produzir conhecimento aplicável, identificar obstáculos com rigor e formular propostas que informem políticas públicas e instrumentos de apoio.

O secretário regional concluiu que a competitividade da economia madeirense depende também da capacidade de assegurar que as empresas de menor dimensão conseguem aceder à inovação, independentemente dos recursos financeiros de que dispõem.