Portugal acompanha permanentemente os navios da chamada frota fantasma russa nas águas nacionais, em particular nos mares do arquipélago da Madeira, recorrendo a sensores, meios navais e sistemas de vigilância espacial. A garantia foi deixada esta tarde pelo Chefe do Estado-Maior-General das Forças Armadas (CEMGFA), General João Guilherme Rosado Cartaxo Alves, durante a cerimónia de rendição de comando do Comando Operacional da Madeira (COM), que passou do Major-General Paulo Jorge Lopes da Silva para o Major-General Gilberto Lopes Garcia.
O oficial máximo das Forças Armadas destacou a importância geoestratégica da Madeira, por onde passam importantes rotas marítimas e aéreas e cabos submarinos essenciais às comunicações e às transacções económicas internacionais.
A vigilância abrange também os recursos naturais do espaço marítimo português, cuja importância poderá crescer com a evolução tecnológica. Portugal reclama junto das Nações Unidas a extensão da plataforma continental até às 350 milhas, um processo que, segundo Cartaxo Alves, reforça a necessidade de garantir presença e controlo sobre essas áreas. "Se não garantirmos, outros poderão, obviamente, reclamar essas mesmas áreas", advertiu, falando aos jornalistas no espaço concedido a perguntas.
Para reforçar a capacidade de monitorização, Portugal dispõe actualmente de dois satélites militares em funcionamento, prevendo lançar mais dois até ao final deste ano e outros quatro em 2027. A futura constelação terá utilização militar e civil, incluindo apoio à protecção civil em situações de catástrofe.
Cartaxo Alves considerou que a posição da Madeira exige elevada prontidão das unidades militares estacionadas na Região, tanto na defesa da soberania como na resposta a fenómenos naturais extremos, em articulação com os restantes meios de protecção das populações.
Portugal tem cerca de 1.500 militares destacados em operações da NATO, das Nações Unidas e da União Europeia, entre outras missões internacionais, revelou ainda o CEMGFA, que defendeu a realização mais regular de exercícios para reforçar a capacidade operacional das Forças Armadas.




