A reunião de câmara do executivo municipal do Funchal ficou
marcada por um incidente, algo insólito, na manhã desta quinta-feira, que resultou
na exclusão da assessora do Chega da reunião pública. Um episódio que volta a
vincar as divergências entre os vereadores do Chega e o líder regional do
partido Miguel Castro.
Ainda antes do início dos trabalhos, a assessora do Chega
compareceu na reunião pública da Câmara do Funchal sem que estivesse
previamente inscrita, condição que é exigida a todos aos membros não eleitos,
assim como aos munícipes que queiram debater situações concretas com o
executivo municipal.
Ao ser confrontada pelo presidente Jorge Carvalho com o
incumprimento do regulamento das reuniões públicas, a assessora terá respondido
que estaria mandatada pelo Chega.
De modo a dirimir o inesperado conflito, o executivo terá
colocado à votação a possibilidade de, doravante, os assessores poderem
comparecer às reuniões públicas sem inscrição prévia. Mas os vereadores, entre
os quais os do Chega, concordaram que as regras devem manter-se. A assessora foi
então convidada a sair, ao que acedeu sob protesto.
O episódio volta a evidenciar as divergências entre a
estrutura regional do Chega e os vereadores eleitos pelo mesmo partido à Câmara
Municipal do Funchal.
Conforme o DIÁRIO avançou na última sexta-feira, a crise da relação
entre Luis Filipe Santos, que encabeçou a lista candidata à Câmara do Funchal,
elegendo pela primeira vez dois vereadores, e a direcção regional do partido, acentuou-se
após a imposição da assessora próxima de Miguel Castro.
Na altura, o líder regional do Chega reagiu ao DIÁRIO,
lançando uma farpa aos vereadores eleitos pelo mesmo partido, afirmado que há pessoas
que “usaram o partido para serem eleitas, mas que desejavam uma carreira noutro”.
Em reacção, os dois vereadores eleitos pelo Chega na Câmara
Municipal do Funchal anunciaram, no último sábado, que estão a avaliar a
possibilidade de exercer o mandato como independentes, na sequência de
divergências com o presidente regional do partido, Miguel Castro.
Em causa estão “métodos, formas de comunicação e
procedimentos internos” que, na opinião de Luís Filipe Santos, não correspondem
“aos princípios de responsabilidade, seriedade e respeito institucional que
devem nortear o exercício de cargos públicos”.
