Os dois vereadores eleitos pelo Chega na Câmara Municipal do Funchal anunciaram este sábado, 24 de Janeiro, que estão a avaliar a possibilidade de exercer o mandato como independentes, na sequência de divergências com o presidente regional do partido, Miguel Castro.
Em nota emitida, Luís Filipe Santos e Jorge Afonso Freitas afirmam que a decisão é tomada “com sentido de responsabilidade e serenidade” e que não se trata de “um desacordo pontual”, mas de divergências relativamente a “métodos, formas de comunicação e procedimentos internos” que, na sua opinião, não correspondem “aos princípios de responsabilidade, seriedade e respeito institucional que devem nortear o exercício de cargos públicos”.
Em causa, apontam, estão as recentes declarações do líder regional do Chega ao DIÁRIO, em que este afirma que há pessoas dentro do partido que “usaram o partido para serem eleitas, mas que desejavam uma carreira noutro”. Segundo os vereadores do partido na CMF, tais afirmações "vieram acentuar um distanciamento institucional anteriormente existente".
Os vereadores reforçam que o seu compromisso continua a ser “exclusivamente com a defesa dos interesses da cidade do Funchal e dos funchalenses”, sublinhando que pautam a sua actuação “pelo respeito pelas instituições democráticas, pela comunicação social e pelas pessoas”, recusando envolver-se em “ataques pessoais ou confrontos públicos desnecessários”.
Quanto à relação com o Chega e a candidatura nacional de André Ventura à Presidente da República, os vereadores garantem que não existe qualquer intenção de “comprometer, fragilizar ou prejudicar” o partido, os seus militantes ou as estruturas regionais. No entanto, apontam a existência de um “clima de desconfiança injustificada relativamente ao seu trabalho e à sua actuação política”, que consideram injusto face ao percurso desde o início do mandato.
Os vereadores afirmam ainda que a sua actuação é pública e verificável, destacando o trabalho de cada um: "Luís Filipe de Freitas Santos tem desenvolvido um trabalho consistente na divulgação política do Chega, nomeadamente através das plataformas digitais, contribuindo de forma relevante para a visibilidade e afirmação do partido no Funchal. Jorge Afonso Correia Pinto Pereira Freitas tem assegurado um acompanhamento regular e responsável dos munícipes, em particular na área do urbanismo, procurando a resolução de situações concretas no respeito pela legalidade e pelos procedimentos administrativos."
As suas posições e intervenções estão documentadas nas actas da Câmara Municipal do Funchal, recordam, frisando que o entendimento manifestado pelo presidente regional, Miguel Castro, “não coincide com esta leitura do trabalho desenvolvido”.
Os dois eleitos lembram que o Chega alcançou, nas últimas eleições autárquicas, “o melhor resultado de sempre no concelho do Funchal”, com a eleição de dois vereadores pela primeira vez, fruto de “um trabalho sério, empenhado e reconhecido pelos eleitores”.
Os vereadores concluem que as decisões futuras serão tomadas “sempre orientadas pelo interesse público, pelo respeito pelos eleitores e pela salvaguarda da dignidade do exercício do mandato”.

