
Durante décadas, sobretudo entre os anos 70 e 90, vigorou em Portugal uma frase que hoje soa brutal: “entre marido e mulher ninguém mete a colher”. Não era apenas um ditado popular; era o retrato fiel de uma sociedade que aceitava a violência doméstica como assunto privado, fechado entre quatro paredes. A lei refletia essa mentalidade, porque a lei — convém recordá-lo — é sempre o espelho do tempo e do poder legislativo que a produz.