Dezembro é sempre um mês de alegria, de esperança e de avaliações. No fundo, tudo se reduz a balanços: do que foi, do que poderia ter sido e do que ainda há de vir. É um tempo de reflexão íntima que nos obriga a olhar para trás, porque a vida que se tem depende da vida que se constrói. E não há construção sem pensamento.

Pensar é sempre um ato exposto e vulnerável, porque acontece a partir da finitude de quem pensa. O ser humano vive sob a consciência da sua mortalidade, e é dessa condição que o pensamento emerge. Essa inquietação não é um erro; é a origem do pensamento. Pensar inquieta e desinstala, e é por isso que o pensamento autónomo incomoda. Quando não se acomoda, a reflexão crítica é facilmente confundida com ameaça.