Ao encerrar a sessão de abertura do ano académico,
Sílvio Fernandes, reitor da Universidade da Madeira, proferiu um discurso
centrado na consolidação do papel da instituição no desenvolvimento regional,
na necessidade de reforço do financiamento estatal e na modernização das infra-estruturas.

Entre as iniciativas essenciais estão projectos estratégicos
de inovação pedagógica e tecnológica, como o PRR para Inovação Digital, o Projecto
STEAM, a Sala do Futuro e o FabLab, que visam modernizar o ensino e preparar os
alunos para modelos de aprendizagem online ou híbrida.

Defendeu que nenhuma instituição de ensino superior “pode
ser avaliada sem considerar a sua influência transformadora no território em
que se insere” e afirmou que a UMa "é hoje um elemento essencial na formação dos
quadros da Região".

A universidade conta actualmente com 4063 estudantes, dos
quais 3420 frequentam cursos conferentes de grau ou diploma, e observa um
aumento da procura nos Cursos Técnicos Superiores Profissionais (CTeSP), o que “reforça
a necessidade de construir o edifício para o ensino politécnico”, segundo o reitor.

Ao recordar os cerca de 16 mil diplomados desde a
fundação da universidade, Sílvio Fernandes evidenciou que muitos desempenham
funções de relevo no sector público, privado e científico, dando exemplos de
engenheiros, médicos, professores e investigadores cuja formação inicial
decorreu na instituição.

Apesar do crescimento, apontou dificuldades estruturais e
financeiras, defendendo a necessidade de um normativo legal que compense os
sobrecustos da insularidade, garantindo previsibilidade no financiamento
estatal às universidades das regiões autónomas. Destacou o desempenho
científico da instituição, referindo que nove investigadores da UMa integram
este ano a lista internacional dos cientistas mais influentes e que, desde Janeiro,
foram submetidos 75 projectos a entidades financiadoras, com 62 projectos em
execução e novos financiamentos já aprovados.

O reitor apresentou, ainda, os dados do ano académico: 4063 estudantes
inscritos, 849 novas admissões, forte procura pelos CTeSP, 171 estudantes
internacionais e 250 Erasmus incoming. Sublinhou o papel dos Serviços de Ação
Social, que atribuíram 1496 bolsas no ano lectivo de 2024/2025. Defendeu,
também, a modernização das infra-estruturas, em especial no complexo da
Penteada, e a necessidade de reforçar o ensino híbrido, a inovação pedagógica e
a adaptação às novas tecnologias.

Na sua intervenção, notou, também, o apoio social aos estudantes que foi reforçado com o
aumento do Fundo de Apoio de Emergência, de 40 mil para 60 mil euros,
abrangendo cerca de 72 bolsas, e a atribuição de 843 bolsas DGES, num total de
1,3 milhões de euros já distribuídos neste ano lectivo.

Para o novo ano lectivo, Sílvio Fernandes definiu como
prioridades a execução das verbas do Contrato-Programa, a conclusão das
residências estudantis, o reforço de recursos humanos, a criação de novas
formações e a consolidação do Sistema Interno de Garantia da Qualidade.

Dirigindo-se aos estudantes, deixou um apelo simples.
“Sejam diferentes e competentes. O resto a vida dá”, afirmou.