Elaborado pelo 'Doutor Finanças', o 2.º Barómetro Hábitos
de Investimento dos Portugueses, desenvolvido em parceria com o
Centro de Estudos Aplicados da Católica-Lisbon, conclui que a grande maioria (61% ou 61 em cada 100 para ser mais preciso) dos portugueses inquiridos sobre os seus hábitos de poupança, dizem não o fazer por opção ou por não terem como.

Neste 2.º barómetro realizado pelo Doutor Finanças - o primeiro foi em Maio deste ano -, o objectivo foi o de "aprofundar o conhecimento sobre os hábitos de investimento dos portugueses,
avaliando a sua relação com produtos de poupança e investimento,
monitorizando tendências e identificando desafios à literacia financeira em
Portugal".

Geograficamente "se obteve a representatividade da amostra, inquirindo indivíduos de 162 concelhos, urbanos e não urbanos, em Portugal Continental, Madeira e Açores, com maior incidência nos municípios com maior densidade demográfica", como são os casos da Área Metropolitana de Lisboa (36% dos inquiridos) e da Área Metropolitana do Porto (18%), sendo que da Madeira foram 4%. Uma percentagem muito maior tendo em conta o 1.º Bartómetro, quando os inquiridos da Madeira eram apenas 1% do total.

"Os resultados revelam que a
maioria (61%) não investe, justificando esta opção sobretudo pela ausência de
poupanças disponíveis (37%) ou pela preferência por poupar sem investir
(27%)", refere. "Entre os que investem, a escolha
recai em produtos de capital garantido - depósitos a prazo (49%), Planos
Poupança Reforma – PPR (38%) e certificados de aforro ou Tesouro (35%) -
evidenciando a tradicional preferência portuguesa por aplicações seguras e de
baixo risco".

E continua: "Ainda que o ouro/prata (39%), as
ações (29%) e os fundos de investimento (22%) surjam como alternativas
relevantes, ativos de maior risco como ETF (14%) e criptomoedas (10%) têm
expressão reduzida, revelando uma abertura ainda cautelosa a soluções mais voláteis."

Clara aversão ao risco

Segundo o Doutor Finanças, uma fintech especializada na área do bem-estar financeiro, que desde 2014, "ajuda as pessoas a tomar melhores decisões financeiras sobre crédito habitação, crédito pessoal e seguros", o perfil de risco declarado pelos
inquiridos "está em linha com os comportamentos: 49% assume-se conservador,
41% moderado e apenas 6% se declara agressivo. Quase metade (48%) só detém
produtos de capital garantido, revelando uma baixa tolerância à
desvalorização. Esta prudência é também reflexo da experiência de
investimento: 44% já perdeu dinheiro, reforçando a opção por soluções
seguras".

Além disso, "a preocupação com a
sustentabilidade ainda não tem um peso relevante: apenas 29% considera
fatores ESG, com aplicação prática muito residual. Também a diversificação
permanece limitada: 71% afirma conhecer o conceito, mas só 40% o aplica de
forma efetiva".

No caso da banca, esta "mantém-se como a principal
fonte de informação (52%) e canal de investimento (50%), revelando
dependência de intermediários institucionais. Apesar disso, aumenta o recurso
a canais digitais, como aplicações (20%) e plataformas (17%), ainda que com menor
expressão. Cerca de 21% dos respondentes também procuram informação junto de
amigos e família".

Quem são que investem as poupanças?

Continua o estudo que "a esmagadora maioria aplica uma
percentagem moderada ou baixa do seu rendimento. Um terço (33%) investe entre
5% e 10%, e uma fatia significativa (21%) diz aplicar mais de 20% — sobretudo
homens e pessoas com mais de 65 anos", confirmando "a relação direta
entre rendimento familiar e capacidade de investir. Nos escalões de
rendimento até €1500, a esmagadora maioria aplica menos de 5% do seu
rendimento. Acima dos 3.000€, 11% investe mais de 20%, revelando maior margem
de poupança".

E afiança que "entre os investidores, a maioria
(45%) investe há 10 anos ou mais – mais homens e mais seniores; 32% fá-lo nos
últimos 5 anos, e apenas uma minoria (16%) tem um histórico de investimento,
entre 5 e 10 anos)", mas "quanto à frequência, 36% reforça
mensalmente as suas aplicações, 24% fá-lo de forma ocasional, enquanto 15% e
12% investe anualmente ou trimestralmente, respetivamente".

E conclui ainda que "apesar de 41% afirmar conhecer bem
os produtos em que investe, 37% admite ter apenas noções básicas. Uma minoria
significativa toma decisões sobretudo com base em recomendações de
profissionais (7%) ou de familiares e amigos (7%), reforçando a importância
da educação financeira e do aconselhamento especializado".