O ranking das escolas hoje divulgado não reflecte a
realidade das escolas, mormente as públicas e em especial das escolas mais
afastadas dos principais centros urbanos, como é o caso da Escola Básica e
Secundária com Pré-Escolar do Porto Moniz, que aparece no fundo da tabela, atrás
da Escola Secundária Gonçalves Zarco.

“De facto olhando para a tabela, verificamos que a escola
do Porto Moniz aparece no fim da lista quando na realidade não está no fim da lista,
pelo menos na média dos exames nacionais”, refere José Sequeira da Costa,
presidente do conselho executivo da Escola Básica e Secundária com Pré-Escolar
do Porto Moniz. “Como somos poucos, as escolas com menos de 55 provas não são
ordenadas no ranking. Por isso é que aparece, no nosso caso, um ponto de
interrogação”, explica o responsável escolar.

José Sequeira da Costa opta assim por valorizar os
resultados dos exames nacionais em detrimento do reduzido número de alunos que ‘penaliza’
a escola do extremo Noroeste da Madeira.

“Atendendo à nossa realidade, o meio em que nos nós
estamos, até conseguimos, no nosso entender, não comparando o número de exames
mas a média dos exames, a nossa média nos exames é 11.45, ou seja, no que à
média dos exames nacionais diz respeito, até ficávamos talvez em 4º lugar nas
escolas da Região”, conclui.

De resto, é também da opinião que o ranking nacional
compara o incomparável. A começar por colocar na mesma bitola as escolas
privadas e escolas públicas quando “toda a gente sabe que numa escola privada à
partida só vão os filhos de pais que têm possibilidades económicas e tendo
essas possibilidades, por consequência, têm acesso a outros meios. Só isso já influência
o ranking porque as escolas privadas são uma realidade totalmente diferente da
escola pública”. Mas não só. O meio onde se inserem também influência os
resultados desta avaliação. Neste caso aponta o exemplo da realidade regional.

“Entre as escolas do Funchal e as escolas da costa Norte
[da Madeira], são realidades totalmente diferentes, mas isso não é levado em
conta no ranking, que só contabiliza a nota para a classificação final. Julgo
que não é a forma mais correcta”, manifesta.

Apesar do ranking tratar igual o que é diferente,
considera que a ‘sua’ escola nos poucos exames conseguiu bons resultados.