O vice-primeiro-ministro e ministro dos Fundos
Europeus e Reformas de Malta, candidato a comissário europeu nas eleições de
junho, Chris Fearne, demitiu-se hoje após ser acusado de fraude e desvio de
fundos num acordo para privatizar três hospitais públicos.
No comunicado em que anunciou a
demissão, defendeu a sua inocência, mas considerou que demitir-se era o mais
correto a fazer para "pôr em primeiro lugar os cidadãos".
Fearne, que na altura era ministro da
Saúde, também retirou a sua nomeação como candidato de Malta à próxima Comissão
Europeia e não especificou se tenciona continuar como líder adjunto do Partido
Trabalhista.
O primeiro-ministro maltês, Robert
Abela, divulgou a resposta que enviou a Fearne pedindo-lhe que reconsiderasse a
decisão.
"Nos momentos mais negros do nosso
país, tive-te ao meu lado, e o país beneficiou enormemente das tuas
capacidades, algo que também foi notado ao nível internacional", escreveu
Abela.
Fearne tinha dito, no início da semana,
que tinha tomado conhecimento das acusações criminais através da comunicação
social e que não fora formalmente notificado das mesmas.
Pelo menos 24 pessoas estão envolvidas
no escândalo, entre as quais o ex-primeiro-ministro Joseph Muscat, o seu antigo
chefe de gabinete, Keith Schembri, e o ex-ministro do Turismo Konrad Mizzi,
segundo o diário Times of Malta.
"Sei o que fiz e o que não fiz
enquanto ministro. Ninguém sabe melhor que eu que a única coisa que o tribunal
vai descobrir é que estou inocente. Demito-me não porque tenha dúvidas sobre a
minha inocência, mas porque é a coisa correta a fazer", afirmou Fearne, no
comunicado que divulgou nas redes sociais.
Acrescentou ainda que, se for provada a
sua inocência, não exclui "a hipótese de regressar no futuro à
política".
O líder da oposição, Bernard Grech,
afirmou que a demissão de Fearne era inevitável e que esta foi mais uma prova
de como o primeiro-ministro está desligado da realidade, ao insistir que
ninguém tinha de se demitir.
"Nenhum governante que enfrente
este tipo de acusações pode permanecer no cargo", escreveu Grech nas redes
sociais.
As conclusões de uma investigação
judicial sobre o acordo para a privatização dos hospitais causaram grande
agitação na política maltesa, a apenas algumas semanas das eleições europeias.
O acordo previa a adjudicação da gestão
dos hospitais à Vitals Global Healthcare (VGH) em 2015 e, um ano depois, Fearne
foi nomeado ministro da Saúde.
Mas a Vitals não cumpriu o contrato e
foi vendida à Steward Global Healthcare, ligada à gigante da gestão hospitalar
norte-americana.
Em 2023, um tribunal maltês anulou o
acordo do Governo com a VGH, que foi adquirida pela Steward Healthcare, com
sede em Dallas, em 2018, depois de concluir que nenhuma das empresas cumpriu as
suas obrigações.
No comunicado de hoje, Fearne sublinhou
"mais uma vez que três relatórios do Departamento Nacional de
Auditoria" o ilibavam de qualquer participação significativa no negócio da
Vitals.
"Em todas as minhas funções,
sempre agi com integridade, retidão e estritamente dentro dos limites da
lei", escreveu.
