A
administradora executiva da Sonae MC (proprietária dos supermercados
continente), Isabel Barros, alertou, no 34.º Congresso Nacional de Hotelaria e
Turismo, prossegue hoje no Centro de Congressos da Madeira (Casino), que as
empresas portuguesas estão atrasadas na adopção de medidas de sustentabilidade
e resiliência. “Quero dar os parabéns à Associação [de Hotelaria de Portugal} mas
temos todos de fazer um caminho ainda mais rápido”, sublinhou a oradora, no
final de uma intervenção sobre o tema 'Sustentabilidade e criação de valor: o
futuro hoje', que pretende pensar sobre o que significa criar valor num
contexto fortemente pressionado economicamente, socialmente e ambientalmente.
Isabel
Barros explicou que nos últimos anos houve um conjunto de acontecimentos – fenómenos
climáticos extremos (seca no Algarve e incêndios e cheias na Madeira, pandemia,
guerras, crise inflacionista ou interrupção das cadeias de abastecimento de
produtos – que criou “um novo mundo que não volta para trás” e as empresas têm
de saber criar valor e tornar os seus negócios mais resilientes e sustentáveis
num contexto mais imprevisível.
“Criar valor
e sustentabilidade nas nossas empresas é pensar em modelos económicos a pensar
nestes riscos e que os mitiguem”, avançou a administradora da Sonae MC, que
realçou que quer os estados quer as empresas estão atrasados nesse processo de
adaptação. Lembrou, por exemplo, que apenas 15% dos objectivos de desenvolvimento
sustentável definidos pela ONU estão a caminho de cumprimento em 2030. “Temos
graves problemas de igualdade de género, resiliência e recursos hídricos”, observou
Isabel Barros, que alertou que a exploração dos recursos do planeta tem piorado
nos últimos anos. “Nós não estamos melhores. Acho que temos de estar todos
mobilizados para fazer melhor”, referiu a mesma oradora, que afirmou que a
União Europeia tem produzido muita regulamentação mas que na prática se revela
ineficaz.
Isabel Barros reconheceu que a própria Sonae MC fez
uma autoanálise em 2015 e chegou à conclusão que poderia fazer mais pelo
ambiente e pela sustentabilidade, designadamente em termos de redução de
emissão de gases com efeito de estufa nas suas actividades e na tomada de
decisões com impacte ambiental. Foi definido então um rumo, “o caminho começou-se
a fazer e os resultados passaram a aparecer”. A intervenção faz-se em cinco
domínios. Em termos de acção climática, a empresa tem por objectivos a descarbonização
e a redução de emissões de gases, com substituição de centrais frios, maior
utilização de energias renováveis (é a maior instaladora de centrais
fotovoltaicas em coberturas dos seus edifícios) e electificação da frota. A
nível da circularidade, até ao ano 2028 quer reduzir 50% do desperdício alimentar
e aumentar o uso de embalagens reutilizáveis. Em termos de produção
sustentável, incentiva a produção nacional e está comprometida com a meta de ‘zero
desflorestação’. No domínio da oferta responsável, aposta na democratização de
uma cesta de produtos mais saudáveis e sustentáveis, reconhecendo que “infelizmente
tal não está acessível a toda a população”.
