Alunos da Escola Secundária Francisco Franco aprenderam na passada sexta-feira "sobre as espécies exóticas invasoras e o seu impacto na
biodiversidade local", numa sessão no âmbito do Projeto Wild que decorreu no sótão da biblioteca da escola, e contou com a presença de Raimundo Quintal, da Associação dos
Amigos do Parque Ecológico do Funchal; Cristina Medeiros, do Instituto das
Florestas e Conservação da Natureza, e dos biólogos Hugo Silva (UMA, Coleção de
Insetos) e Tânia Costa (Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves).
De acordo com nota da escola, "o evento foi marcado pela partilha de
conhecimento e de experiências, tendo cada um dos oradores oferecido
perspectivas únicas sobre esta grave ameaça à permanência dos ecossistemas
locais, incluindo o enquadramento histórico-geográfico da chegada e expansão
das espécies alienígenas e um conjunto de reflexões valiosas sobre os seus
efeitos na vegetação autóctone e nas populações de aves e de insetos nativos".
Assim, "dando destaque à importância da
colaboração entre as diversas entidades (IFCN, câmaras, juntas de freguesia e
ONGs) e a população, os especialistas convidados apelaram também à reflexão, ao
retorno à Natureza e ao envolvimento dos cidadãos", tendo ficado "claro que a proteção da
singularidade dos ecossistemas destas ilhas requer a consciencialização
individual, alterações de hábitos de consumo (particularmente no que diz
respeito ao comércio e cultivo das espécies ornamentais), e a participação
ativa de todos".
No caso da Associação dos Amigos do Parque
Ecológico do Funchal e da Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves, os responsáveis "apelaram
ao voluntariado, através da participação nos programas de restauro de habitats
realizados ao longo do ano".
Já sobre as inúmeras espécies alienígenas
referidas ao longo da sessão, "sobressaem a bananilha ou roca-de-vénus Hedychium
gardnerianum e o incenseiro Pittosporum undulatum, que, pela
sua expansão descontrolada, colocam em perigo a floresta Laurissilva,
património da Humanidade".
"Sendo esta terrível ameaça ainda pouco
conhecida do público e das próprias entidades a quem caberia combatê-la, o Instituto
das Florestas e Conservação da Natureza está a desenvolver uma campanha de
sensibilização dirigida às escolas, juntas de freguesia, câmaras, hotéis e
empresários", realça a Francisco Franco. "Intitulada 'Pela Biodiversidade, Pare as invasoras', esta campanha
visa reunir mais aliados para a causa da defesa do património natural do
arquipélago", revela.
O projecto Wild da Francisco Franco, "que
tem entre os seus objetivos 'contribuir para a dignificação e conservação das
espécies nativas e endémicas da ilha do Arquipélago da Madeira e de
Macaronésia', é coordenado pela professora Teresa Jardim de Freitas", conclui a nota.
